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Alta do Jacuí e Guaíba põe moradores das ilhas de Porto Alegre em alerta

Fernando foi um dos moradores que observavam o avanço das águas nesta quarta | Foto: Felipe Faleiro / Especial / CP

Moradores das ilhas de Porto Alegre estão acostumados com a alta do Guaíba e do rio Jacuí, e no bairro Arquipélago em enchentes, e muitos observavam novamente a água subir e inundar vias na manhã desta quarta-feira, como a avenida Nossa Senhora da Boa Viagem, a principal da Ilha da Pintada. Parte dela estava intransitável, impedindo a passagem de veículos. Alguns habitantes circulavam a pé com cuidado, utilizando botas altas.

O nível do Guaíba, que havia atingido dois metros por volta das 22h50min da terça-feira, muito em parte devido à presença do vento sul, causando represamento da água, que termina por invadir as ruas, recuou para 1,94 metro pouco depois das 9 horas. A cota de inundação no final da Nossa Senhora da Boa Viagem é bem próximo disto, de 1,95 metro a dois metros, de acordo com o secretário executivo da Defesa Civil de Porto Alegre, Evaldo Rodrigues de Oliveira Júnior.

“Achamos por bem emitir um alerta de possibilidade de inundação aqui para o bairro Arquipélago, e também para as regiões ribeirinhas da zona Sul e extremo Sul da cidade. A partir dele, que começou às 8 horas, a instalar equipes nestas regiões para acompanhamento da população, com orientação, servindo como um ponto de referência, caso surjam demandas de apoio a estas pessoas que residem nestes locais”, disse ele.

“A boa notícia é que parou de chover, tanto em Porto Alegre, quanto nos outros municípios, e o Guaíba já apresenta um leve declínio. Não trabalhamos com a hipótese de remover famílias e pessoas do Arquipélago ou de outras regiões por conta das inundações. A situação está muito tranquila”, acrescentou Evaldo. O alerta da Defesa Civil Municipal segue vigente até esta sexta-feira, às 10 horas.

Entre os moradores, os vizinhos de Pintada Vanderlan Silva, eletricista, e Fernando dos Santos, pescador, comentavam a respeito de que esta enchente é relativamente comum, porém incômoda. Se nas ruas o sentimento era de resignação por mais um transtorno causado pela inundação, nas águas chamava a atenção novamente o excesso de lixo e entulhos orgânicos descendo velozmente o rio.

“Quando não há vazão, o rio acaba trancando e toda essa sujeira vem para cá. Tem que deixar o rio correr, permitir a retirada de areia, se não o rio vai vir com muito mais força. Essa é uma ‘água normal’, que desce todos os anos. O governo, por mais que faça ações, é bastante refém da força da natureza”, salientou Silva. No Cais Mauá, no Centro Histórico, a medição das 13 horas desta quarta-feira indicava 2,12 metros, em trajetória de estabilidade, e com a cota de transbordamento em três metros, de acordo com as medições da MetSul Meteorologia.

Na zona Sul de Porto Alegre, onde não há o sistema de proteção contra cheias, a situação do Guaíba era mais tranquila na manhã desta quarta, sem a presença de água nas vias. No entanto, a preocupação maior era com a falta de energia elétrica, com postes caídos nas ruas Jorge Mello Guimarães e Eustáquio Inácio da Silveira, no bairro Belém Novo, frustrando os moradores desde o término do temporal, na última segunda-feira.

Fonte: Correio do Povo

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