
As novas tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump entraram em vigor às 00h01 (horário de Washington) desta terça-feira (24), o que deve gerar impactos imediatos sobre o comércio internacional e levantar dúvidas entre exportadores brasileiros. Após a decisão da Suprema Corte que derrubou o “tarifaço”, o governo dos EUA anunciou uma tarifa global de 10%, elevada para 15% no sábado, 21, dentro do limite previsto na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A medida atinge países que mantêm relações comerciais com os EUA, com exceções pontuais para alguns produtos.
A decisão trouxe um sentimento de “otimismo cauteloso” para os calçadistas brasileiros. Conforme o presidente-executivo da da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, o modelo da tarifa global anunciada deixa o calçado brasileiro mais competitivo nos Estados Unidos em relação ao tarifaço anterior, que aplicava uma sobretaxa de 50% ao produto nacional. “A alíquota global de 15% elimina a vantagem tarifária que outros países produtores, em especial asiáticos, possuíam sobre o produto brasileiro no mercado estadunidense”, avalia.
PRINCIPAL DESTINO
A política tarifária norte-americana afetou de forma relevante o desempenho do setor calçadista em 2025. Até a entrada em vigor da alíquota adicional, em julho de 2025, as exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos acumulavam crescimento de 15,3%, em pares, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Com a vigência da sobretaxa, esse avanço foi revertido: entre agosto e dezembro de 2025, os embarques destinados ao mercado norte-americano registraram queda de 23,4% em volume, configurando um cenário desafiador para o setor.
Aprofundando a tendência registrada no último ano, no mês de janeiro de 2026 as exportações brasileiras de calçados ao destino sofreram retração de 45,7% e 26,8%, respectivamente, em dólares e pares, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.