
Uma mulher de 45 anos foi encontrada morta na noite deste domingo na residência do ex-companheiro, na localidade de Linha Quinca, no interior de Sobradinho, no Vale do Rio Pardo. O corpo apresentava perfurações provocadas por arma branca, possivelmente uma faca.
Conforme informações da Polícia Civil, o homem apontado como suspeito do feminicídio não havia sido localizado até a última atualização, na manhã desta segunda-feira, e é procurado pelas autoridades.
A vítima havia saído de casa, no bairro Rio Branco, durante a tarde de domingo e não retornou. A ausência e a falta de notícias levaram familiares e conhecidos a iniciar buscas por conta própria, até que encontraram o corpo na residência do ex-companheiro, por volta das 22h.
A mulher, identificada como Julia Roseli da Silva, estava separada do suspeito, mas, segundo a delegada, eventualmente frequentava a residência dele. O homem é pai de um dos filhos da vítima, um adolescente de 15 anos.
A Brigada Militar (BM) foi acionada pelos familiares e comunicou o caso à Polícia Civil. O Instituto-Geral de Perícias (IGP) realizou levantamentos na residência, e o corpo foi encaminhado para necropsia. A investigação é conduzida pela delegada Graciela Foresti Chagas.
A BM informou que os policiais encontraram manchas de sangue espalhadas por diferentes cômodos da residência, além de outros vestígios relacionados ao crime. Guarnições de municípios vizinhos foram mobilizadas para reforçar as buscas pelo suspeito.
Ex-companheiro já havia sido indiciado por injúria e ameaça
Segundo a delegada, as primeiras informações apuradas pela Polícia Civil indicam que o suspeito não aceitava o fim do relacionamento. A vítima não possuía medidas protetivas de urgência contra ele, mas já havia procurado a polícia em outras duas ocasiões, em 2021 e 2023.
De acordo com Graciela, o homem foi indiciado nos dois inquéritos policiais instaurados a partir dessas ocorrências, por injúria e ameaça. Apesar dos registros anteriores e dos indiciamentos, não havia medida protetiva em vigor quando a mulher foi morta.
Em uma das ocorrências anteriores, registrada em novembro de 2023, a mulher relatou à Polícia Civil que mantinha um relacionamento com o suspeito havia 14 anos. Conforme o boletim, naquela noite, o homem chegou embriagado à residência e discutiu com um filho mais velho dela, de outro relacionamento, então com 20 anos.
Na ocasião, o suspeito teria exigido que o jovem saísse de casa por ter feito uma tatuagem. Ao intervir, a mulher empurrou o companheiro, que passou a chamá-la de “vagabunda” repetidas vezes.
Ainda segundo o registro, a vítima afirmou que não chegou a ser agredida ou ameaçada naquela ocasião, mas que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente. Ela informou que havia registrado apenas uma ocorrência policial, em 2021, e manifestou o desejo de representar criminalmente contra o companheiro e solicitar medidas protetivas.
Com a morte de Julia, o Rio Grande do Sul chegou a 65 feminicídios em 2026. É, também, o primeiro registrado no mês de novembro no Estado. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias do crime e busca localizar o suspeito.

