
As instituições financeiras tem uma preocupação com o ciclo de descontrole nas contas públicas, da elevação da inadimplência do consumidor e o os juros elevados. É o que consta no Relatório de Estabilidade Financeira (REF), referente ao primeiro semestre de 2026, divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC). O REF é uma publicação semestral destinada a apresentar o panorama da evolução recente e as perspectivas para a estabilidade financeira no Brasil.
O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira. O Sistema Financeiro Nacional (SFN) permanece com capitalização e liquidez confortáveis e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. O SFN permanece rentável e resiliente, apesar do recuo da rentabilidade. Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário.
O financiamento à economia real desacelerou, em linha com as condições financeiras mais restritivas e com a moderação da atividade econômica. O crédito bancário às famílias arrefeceu na carteira de maior risco e manteve-se estável na de menor risco. Do lado das pessoas jurídicas (PJs), o crédito bancário desacelerou para empresas de micro, pequeno e médio portes. O mercado de capitais segue crescendo em ritmo bastante superior ao crédito bancário.
RISCO
O apetite a risco das IFs mostrou sinais de redução, mas o cenário requer cautela. O arrefecimento do crédito bancário veio acompanhado de leve melhora na qualidade das novas contratações com empresas, sugerindo maior cautela na originação. Sinais de maior propensão ao risco persistem na modalidade cartões de crédito, que mantém taxa de expansão elevada.
A materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo. Os ativos problemáticos elevaram-se no crédito às famílias e atingiram o maior nível desde 2012 na maioria das modalidades. A inadimplência foi o principal fator desse movimento e teria se elevado mesmo se as políticas de baixa a prejuízo não tivessem sido alteradas em 2025. As estimativas de probabilidade de default (PD) indicam continuidade da pressão na maioria das modalidades na segunda metade de 2026. Também no crédito às empresas, a materialização de risco aumentou e as PDs mantiveram-se elevadas, sobretudo no crédito para micro, pequenas e médias empresas.
O REF também traz avaliações sobre o sistema financeiro internacional e sobre as infraestruturas do mercado financeiro, e apresenta o resultado da pesquisa de estabilidade financeira. Além disso, os seguintes temas foram selecionados para esta edição: (i) Crédito consignado privado, (ii) Endividamento das famílias e estabilidade financeira, (iii) Desenvolvimento de condições mais sustentáveis de oferta responsável de crédito no Brasil, (iv) Responsabilidades e incentivos em arranjos de pagamentos, (v) Incidentes cibernéticos: fatores de risco, implicações para a estabilidade financeira e medidas preventivas, e (vi) Exposições do crédito aos riscos da natureza no SFN.

