
A passagem do temporal pelo Rio Grande do Sul causou estragos também no Litoral Norte. As cidades da região registraram ocorrências relacionadas com destelhamentos, queda de árvores e postes, e falta de energia elétrica. De acordo com a MetSul Meteorologia, os impactos do temporal estão relacionados com as fortes rajadas de vento e também com o registro de um tsunami meteorológico no mar.
Em Osório, a prefeitura registrou a queda de três postes que afetaram o fornecimento de energia elétrica nos bairros Lacustre, Caravágio e Medianeira. Também houve falta de luz no distrito de Passinhos. Já no balneário de Atlântida Sul, na rua Icaraí, uma árvore tombou atingindo parcialmente um veículo dentro de uma residência. Também houve destelhamentos no bairro Albatroz e na localidade de Emboaba.
Além disso, na ERS 030, parte da estrutura metálica de um comércio se desprendeu com o forte vento, causando danos materiais. Segundo o prefeito Romildo Bolzan Júnior, não há nenhuma família desabrigada ou o registro de feridos após a passagem do temporal em Osório. “Não tivemos problemas com alagamentos, fizemos várias intervenções no sistema pluvial, demonstrando que foram eficientes”, afirmou.
Já em Santo Antônio da Patrulha, conforme o prefeito Rodrigo Massulo, muitos imóveis estão sem fornecimento de energia elétrica. Até o momento, foram contabilizados 11 destelhamentos e sete postes caídos na cidade. Há também registro de queda de árvores na cidade.
Em Capão da Canoa, o coordenador da Defesa Civil Municipal, José Carlos Quadros informou que a prefeitura deverá decretar situação de emergência em função dos estragos. Outra preocupação está na continuidade da chuva na região, que pode causar alagamentos na cidade. Apesar disso, ele ressalta que os valões foram limpos recentemente, o que deverá ajudar na drenagem da água
Ainda de acordo com o coordenador, o temporal deixou muitas casas destelhadas e postes caídos em Capão da Canoa. A força do vento ainda causou a destruição parcial da cobertura de um posto de combustíveis localizado na avenida Paraguassu e destelhou parte da Estação Rodoviária.
Em Xangri-lá, moradores e veranistas também relatam destelhamentos em residências. Ainda foram registrados danos em estabelecimentos comerciais. Parte das telhas dos imóveis danificados foram arrastadas pelo vento por metros. Muros de casas também tombaram. Um dos principais bairros afetados foi Rainha do Mar, onde o temporal fez desabar estrutura de telhados de algumas casas
Em Imbé, uma forte descarga elétrica atingiu a Escola Municipal de Ensino Infantil Jardelino Peroni, no Centro. Apesar do susto, ninguém ficou ferido. A escola ficou sem energia elétrica e, por isso, as aulas foram canceladas nesta segunda-feira. Equipes atuam na manutenção para a retomada das atividades da escola.
Em Cidreira, a prefeitura comunicou estar sem energia elétrica no prédio onde funciona o administrativo municipal. Além disso, as aulas foram canceladas nesta segunda-feira. Já em Palmares do Sul, um dos locais mais afetados foi o balneário de Quintão. No local, foram registradas casas destelhadas, queda de postes e árvores. Alguns dos postes caíram sobre a estrada que liga Magistério, em Balneário Pinhal, e Quintão, deixando parte da comunidade isolada.
Segundo o Coordenador da Defesa Civil de Palmares do Sul, Ronaldo Bittencourt, também foram registrados danos nas localidades de Granja Vargas, Frei Sebastião e Bacupari. Em todas, o principal impacto está relacionado com a queda de postes, ocasionando a falta no fornecimento de energia elétrica.
Ele ressalta que a chuva permanece forte na região, o que dificulta o andamento dos trabalhos de recuperação. “As equipes municipais seguem mobilizadas prestando todo o auxílio necessário às famílias atingidas, incluindo a distribuição e colocação de lonas para proteger as residências que sofreram danos nas coberturas”, disse.
Vento e tsunami meteorológico
Segundo o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia, o Litoral Norte está entre os pontos mais castigados pelas tempestades no Rio Grande do Sul. Na região, os estragos estão relacionados principalmente com o vento e também com fenômeno chamado de tsunami meteorológico no mar.
“O que chamou a atenção foi o súbito e muito rápido avanço do mar com grandes ondas sem ressaca em Capão da Canoa quando do temporal, o que provocou danos na Beira-Mar e em quiosques. A MetSul entende, com base em vídeos da elevação do mar que recebeu, que se tratou de um tsunami meteorológico”, apontou.
Ainda de acordo com o meteorologista, o principal gatilho para esse tipo de fenômeno é a variação da pressão atmosférica. Nachtigall ainda ressalta que os registros de meteotsunamis no Brasil são escassos. “Para que um meteotsunami se forme, a velocidade do distúrbio atmosférico precisa coincidir com a velocidade natural de propagação das ondas no mar, um processo conhecido como ressonância”, concluiu.
Fonte: Correio do Povo

