
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará o discurso de abertura da 81ªAssembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira (22). Durante a fala, o chefe de Estado deve defender o multilateralismo, cobrar uma reforma do Conselho de Segurança da entidade e pedir maior cooperação internacional para enfrentar conflitos e desafios globais.
Esta será a 10ª vez em que Lula fará o discurso em nome do Brasil — que, tradicionalmente, abre o debate da Assembleia Geral. A expectativa é de que a fala dure cerca de 20 minutos.
Entre outros temas previstos estão mudanças climáticas, meio ambiente, violações de direitos humanos e impactos do avanço da inteligência artificial, segundo o Itamaraty.
Lula ainda deve abordar os efeitos econômicos das guerras, como a alta nos preços de alimentos, combustíveis e fertilizantes, além de soluções negociadas para esses conflitos.
Conselho de Segurança
Sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU, Lula deve voltar a questionar a estrutura que concentra o poder de veto nas mãos dos cinco membros permanentes — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — e defender mudanças na organização.
A expectativa, segundo fontes do governo, é que a mensagem geral seja de que a ONU vem apresentando dificuldades para cumprir suas principais funções, especialmente na prevenção e na solução de conflitos.
O presidente também deve defender o princípio de não interferência e o respeito à soberania dos países. A orientação, segundo as mesmas fontes, é que Lula reafirme a soberania brasileira sem fazer referência direta às eleições de 2026 ou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Trump
Apesar da proximidade entre as agendas de Lula e Trump, não há, até o momento, um pedido de reunião bilateral entre os dois por nenhuma das partes. Segundo fontes do MRE (Ministério das Relações Exteriores), os líderes de Estado devem se encontrar informalmente após o discurso do brasileiro e antes da fala do norte-americano. A expectativa é de um cumprimento e uma breve conversa, sem uma reunião formal.
As declarações recentes de Lula sobre a disposição de conversar com Trump e pedir que o presidente norte-americano não interfira nas eleições brasileiras são vistas pelo governo como demonstração de abertura ao diálogo, mas não significam que exista uma bilateral prevista.
Crime organizado
O combate ao crime organizado também deve aparecer entre os temas. A intenção é apresentar as ações brasileiras contra facções criminosas e crimes ambientais como exemplos da necessidade de ampliar a cooperação entre os países.
Na avaliação de integrantes do governo, a menção ao Brasil em um documento enviado pelo governo norte-americano ao Congresso dos EUA sobre combate às organizações criminosas seria uma tentativa de politizar o tema. O Brasil não aparece na lista de países apontados no documento, mas é citado no texto.
Agenda
Além do discurso, Lula terá uma agenda de reuniões em Nova York. O presidente foi ontem para os Estados Unidos.
Nesta segunda-feira (21), está prevista uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, na residência do embaixador brasileiro. A comitiva também recebeu mais de 30 pedidos de reuniões bilaterais, mas ainda não há definição sobre quais encontros serão realizados.
Lula fará o discurso na manhã de terça-feira (23), deve acompanhar parte dos pronunciamentos seguintes e tem retorno previsto para perto do meio-dia.
O chanceler Mauro Vieira permanecerá em Nova York para coordenar reuniões de diferentes agrupamentos multilaterais, entre eles a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Fonte: R7

