
Cerca de 90 mil óculos falsificados foram destruídos nesta quarta-feira, em Porto Alegre, junto com equipamentos eletrônicos contrabandeados. O material, que somava cerca de uma tonelada, foi triturado no pátio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) por um rolo compressor. Por serem produtos irregulares que podem representar riscos à saúde pública, os óculos não podem ser reutilizados e precisam ser descartados.
A destruição ocorreu em uma ação conjunta do Sindicato do Comércio Varejista de Material Óptico, Fotográfico e Cinematográfico do Estado do Rio Grande do Sul (Sindióptica-RS), da Secretaria Executiva de Fiscalização (Sefis) de Porto Alegre e da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon). A última força-tarefa do tipo ocorreu em 2019 e resultou na destruição de cerca de 60 mil óculos.
Os produtos foram apreendidos nos últimos 18 meses em ações contra a venda irregular na Capital, no Litoral e em municípios do Interior. As apreensões da fiscalização municipal ocorrem principalmente na região central de Porto Alegre e envolvem vendedores ambulantes e depósitos que comercializam produtos irregulares. O material é acumulado até que haja quantidade suficiente para a destruição adequada.
Por que é tão perigoso
De acordo com dados consolidados pelo Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), o setor óptico ocupa a quinta posição entre os mercados mais afetados pela pirataria e pela ilegalidade no Brasil. Mas, para além da falsificação, a atividade irregular apresenta, segundo as autoridades, um risco à saúde.
“Esses óculos são altamente prejudiciais à saúde. É uma ação de saúde pública, muito mais de informação do que de fiscalização”, afirma a Lorecinda Abrão, diretora geral da Sefis.
O Sindióptica-RS alerta para os riscos graves ao utilizar óculos de grau sem procedência. Segundo o diretor-executivo da entidade, Roberto Tenedini, a perda de visão que leva uma pessoa a procurar um óculos falsificado pode ser um sintoma de doenças que precisam de acompanhamento médico.
“Perda de visão pode não ser só uma questão de miopia e astigmatismo. Pode ser glaucoma, pode ser uma bactéria, pode ser um câncer, coisas que, se não tratadas, podem gerar a perda de visão ou até a morte”, diz Tenedini, que complementa:
“É o barato que sai caro. Depois, pode ser necessário um tratamento mais complexo ou até custar a própria visão.”
No caso dos óculos escuros, o presidente do Sindióptica-RS, Vitorino Vilmar Balena, explica que o risco vai além da falta de proteção contra a radiação ultravioleta (UV). Segundo ele, as lentes apenas escurecidas fazem a pupila se dilatar para permitir a entrada de mais luz. Sem um filtro UV adequado, a dilatação deixa os olhos mais expostos à radiação.
“É melhor ficar sem o óculos nenhum do que com o óculos escurecido irregular, porque ele torna os olhos mais vulneráveis para os raios nocivos entrarem”, afirmou Balena.
Fonte: Camila Mendes/Correio do Povo

