
A sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF), que avalia se abre investigação sobre as relações do ministro Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, também foi marcada por momentos de tensão entre os ministros. A sessão teve início na manhã desta terça-feira (15) e se estendeu ao longo do dia.
O primeiro momento de tensão foi protagonizado pelos ministros Edson Fachin, presidente do STF, e Flávio Dino, após uma fala do ministro Dias Toffoli. Flávio Dino tentou confrontar uma informação dita por Toffoli, quando se iniciou a discussão:
Fachin: “Ministro Flávio, gostaria de combinar, nesta sessão, que a palavra sempre será solicitada à Presidência”
Dino: “Presidente, vou seguir o regimento interno da Corte”
Fachin: “Que diz que a palavra será pedida à Presidência”
Dino: “A parte será dirigida ao relator”
Fachin: “Não, Vossa Excelência deve pedir à Presidência, é o que estou lhe dizendo”
Dino: “Presidente, eu vou seguir o regimento interno”
Fachin: “Pois Vossa Excelência terá a palavra, pois estou lhe concedendo”
Após a fala do ministro Flávio Dino, Fachin leu o regimento e o que diz o Artigo 133: nenhum ministro falará sem a permissão do presidente ou interromperá quem estiver usando a palavra, salvo quando solicitado e concedido.
Um dos momentos de tensão mais marcantes foi o protagonizado pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça:
“Quem tem medo da Polícia Federal? Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a PF e exigiu que colocasse um colega na delação premiada? E vamos trazer aqui testemunhas que eu vou indicar. E tenho testemunhas de que o ministro André disse…” — afirmou Moraes, que foi interrompido diversas vezes por Mendonça.
“É mentira, é mentira, é mentira! Pode chamar, vão mentir”, disse Mendonça.
Outro momento foi a mensagem de Flávio Dino, que, durante um de seus pronunciamentos, afirmou:
Aqui não é lugar para quem busca aplauso, ou popularidade, ou biografia, mas sim de fazer justiça.
Os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça também tiveram um bate-boca, quando falavam sobre a atuação da Polícia Federal nas apurações sobre o Banco Master e a relação de Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes:
Gilmar Mendes: “Quem é o vazador geral da República? É a Polícia Federal? É o gabinete do André? É a secretaria do Supremo? Interessante que nos nossos gabinetes, ministro Fux, não se vaza nada.”
André Mendonça: “O senhor está sendo leviano, leviano.”
Gilmar Mendes: “O senhor não tem a palavra.”
Gilmar Mendes: “Evidente condução política eleitoral, isso não se faz.”
André Mendonça: “Não aponte o dedo para mim, Gilmar Mendes. O senhor não está falando com qualquer um, respeite este Tribunal.”
Gilmar Mendes: “Quem não se dá ao respeito, não merece respeito.”
O ministro Luiz Fux afirmou:
“A Segunda Turma percebeu uma série de desvios de finalidade na atuação do diretor-geral da Polícia Federal. Foi essa a preocupação que nós tivemos. Estamos vivendo uma PF paralela.”
Em outro momento de seu pronunciamento, o ministro Gilmar Mendes chegou a comparar a situação toda com um ambiente de máfia:
Gilmar Mendes: “Não se pode submeter, mesmo um colega que esteja eventualmente envolvido, ou que teve um filho… não pode ser submetido a este tipo de vexame. É uma atitude covarde, vil. Já disse em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência.”
Fonte: Correio do Povo

