
O excesso de chuva ocorrido nesta semana, especialmente no Sul do Estado, levou problemas para diversos municípios. Com isto, a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), realizou na manhã desta sexta-feira uma reunião online com representantes da Defesa Civil do Estado.
Na oportunidade, os representantes das cidades enumeraram os problemas mais urgentes causados pelo excesso de chuva. A abertura foi realizada pelo governador Eduardo Leite. Ele colocou a estrutura do Estado à disposição, mas ponderou que os efeitos do fenômeno El Niño devem ser sentidos no Rio Grande do Sul, ao menos até o final de 2026.
“Devemos ter eventos que comprometerão estradas e estruturas ao menos até o final do ano, mas não deixaremos de apoiar ninguém. Peço as necessidades mais urgentes dos municípios, para que possamos desenhar o formato de apoio. Não consigo distribuir recursos para recuperar todas as estradas, caso contrário não teremos fôlego para apoiar o que vem pela frente”, justificou.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, Luciano Boeira, lembrou que outras regiões também sofreram com eventos climáticos nas últimas semanas. “Temos procurado dar todo o suporte e atenção. Temos um levantamento preliminar de encaminhamento das primeiras emergências e necessidades. Estamos aqui para ouvir e fazer um diagnóstico da região”, observou.
Estradas Rurais
A maioria dos municípios representados no encontro citaram a situação das estradas rurais. O primeiro a falar foi o presidente da entidade e prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Selayaran Nicoletti. “Tivemos mais de 200 milímetros de chuva. Nosso grande problema é o estado das estradas das agrovilas. Temos povoados que ficaram ilhados”, lamentou. Ele disse que conversou com representantes da Defesa Civil nacional, que está com bases montadas em Pelotas e Jaguarão. “Sinalizaram que há recursos, mas é necessário a aprovação de um plano de trabalho, o que torna inviável, pois não vamos deixar as comunidades isoladas até que isto ocorra”, garantiu.
Ele revelou que há estradas interditadas e que deve agilizar um terceiro decreto de emergência devido às chuvas. “Temos três estradas interditadas. Tivemos um decreto homologado em maio, outro fizemos este mês pela falta de energia e vamos fazer um terceiro. Há problemas pontuais em estradas e alguns locais que precisam ser desassoreados”, assinalou.
O prefeito de Arroio Grande, Plínio Vizeu Pereira Neto, disse que a água começou a invadir o distrito de Santa Izabel. “Estamos nos organizando para ir para lá, mas a nossa maior necessidade são as estradas vicinais e também tivemos problemas com bueiros”, elencou. O prefeito de Arroio do Padre, Juliano Hobuss Buchweitz , disse que ainda não emitiu o decreto de emergência, pois aguarda um laudo da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). “Entre os dias 12 e 20 deste mês foram 378 milímetros de chuva e, no dia 18, tivemos granizo. O prejuízo maior é nas estradas vicinais. Estamos também com problemas no transporte escolar”, frisou.
O prefeito Arion Braga disse que Canguçu ficou destruída após as chuvas intensas. “Tenho 8 mil quilômetros de estradas rurais e mais de 500 pontes. Na cidade há quase uma centena de casas descobertas devido à chuva de granizo e ao volume de mais de 300 milímetros. A situação é caótica”, disse. Braga solicitou agilidade na homologação do decreto de situação de emergência. “A situação é extremamente grave. Tive alagamentos na área urbana, escola destruída no interior, peço agilidade com o decreto”, enfatizou.
O prefeito do Cerrito, José Flávio Vieira também elencou a situação das estradas como o principal problema, mesma situação na cidade vizinha de Pedro Osório, onde o prefeito Ricardo Duarte Alves também enfatizou a questão da drenagem. O prefeito de Pelotas, Fernando Marroni, lembrou que assinou dois decretos de situação de emergência em menos de dez dias. “Primeiro tivemos o ciclone, agora a chuva intensa e estamos na demanda pela homologação. Há ainda muitas pontes caídas, estradas rurais com problemas. As aulas estão suspensas na zona rual onde postos de saúde seguem fechados”.
Estradas rurais dizimadas
Para o prefeito de Jaguarão, Rogério Lemos Cruz, esta é a pior tragédia climática enfrentada pelo município desde 1988. “Temos dois mil quilômetros de estradas rurais dizimadas, pessoas ilhadas, suspendemos o transporte escolar e o rio está acima do nível”, lamentou. Ele sugeriu que os municípios tenham acesso a recursos do Programa Fundo a Fundo, do governo estadual. “A melhor alternativa é o Fundo a Fundo para a contratação de máquinas. Nosso decreto aguarda homologação. Temos problemas em pontes que caíram, cabeceiras, enchente, então pedimos celeridade”, solicitou. Boeira garantiu que agilizará os decretos, mas respeitará os protocolos necessários.
O vice-prefeito de Pedras Altas, José Pedro Azeredo Crespo, enumerou como principal problema a dificuldade de fornecer água potável para as comunidades. “Tivemos aulas interrompidas, com poços artesianos submersos o que fez com que a água ficasse contaminada, então estamos levando água para as comunidades”, relatou.
O prefeito de Herval, Celso Vieira Silveira, afirmou que já decretou situação de emergência desde o início do mês quando teve várias casas destruídas e somou R$ 2 milhões em prejuízo. “Estou na mesma situação de outros municípios com o excesso de chuva, com aulas paradas, mais de mil quilômetros de estradas rurais destruídas, precisamos de atendimento urgente. São 350 milímetros de chuva”, disse.
O coordenador da Defesa Civil de Pinheiro Machado, José Luiz Cunha, confirmou que as chuvas desta semana extrapolaram a capacidade de resposta do poder público municipal. “Nossa capacidade é curta para a demanda que temos. Só gostaríamos de reiterar, foi decretada emergência e precisamos da homologação, pois precisamos reconstruir pontes, algumas nem vimos ainda pelo excesso de água. Tivemos perdas ainda na agricultura, na pecuária e em estradas”, confirmou.
Em Rio Grande, as estradas rurais também são o principal problema. “Desde o dia 6 viemos sofrendo com eventos sequenciais. Tivemos vendaval, chuva, granizo e o agravante da suba na Lagoa dos Patos. As perdas foram diversas, especialmente a questão das estradas rurais”, enfatizou a prefeita Darlene Pereira.
O coordenador municipal de Defesa Civil e vice-prefeito Renato Mattos Gomes também participou da reuniu. Ele lembrou que do início deste mês até hoje a cidade registrou 233 milímetros de chuva e a cota de inundação da Lagoa dos Patos é de 80 centímetros. “A mancha de inundação afeta 965 famílias ribeirinha e é necessário pensar em uma solução para as perdas”, observou.
Boeira orientou que o caminho para acessar o recurso deve ser o Fundo a Fundo. “Em função do El Niño vamos ter que lidar com isto. Entendemos que o Fundo a Fundo será o mais rápido meio de disponibilizar os recursos. Vamos agilizar os decretos”, garantiu.
Travessia entre São José do Norte e Rio Grande
O prefeito de São José do Norte, Neromar de Araújo Guimarães, lembrou que choveu 289 milímetros em agosto no município e o período é usado para o transplante da cebola. “O excesso de chuva causou transtornos para os agricultores, pois ficou embaixo da água. Como a Lagoa tem subido com frequência, estes dias a balsa não teve condições de atracar e ainda não conseguimos resolver este problema de forma efetiva”, afirmou. Ele afirmou que decretou emergência e que também está com problemas em estradas vicinais.
Boeira lembrou que o ponto de partida para qualquer auxílio são os decretos de emergência. “Então assumimos o compromisso de agilizar o que for possível na homologação, com os procedimentos que não podemos abrir mão. O governo do Estado estará disponível, mas temos que estabelecer prioridades”, solicitou. Sobre as estradas rurais, ele destacou que há o entendimento que o recurso será alcançado se comunidades estiverem isoladas. “Tivemos sucessivos evento e temos a condição de atender parte das demandas. Em breve daremos o retorno”, garantiu.
Fonte: Angélica Silveira / Correio do Povo


