
O advogado Guilherme Vieira, filho do ex-governador e secretário-chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, é apontado como suspeito de violência doméstica, diz a Polícia Civil. Preso nessa quinta-feira (13), em Canoas, ele é investigado em liberdade provisória, após passar, nesta manhã, por audiência de custódia. A defesa nega as alegações.
Uma guarnição do 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM) atendeu a ocorrência na casa de Guilherme Vieira, no bairro Estância Velha, pelas 10h. Logo, a companheira dele, que também é advogada, alegou aos PMs que teria sido ameaçada e agredida. Já na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), houve autuação, por lesão corporal contra mulher e ameaça, em flagrante.
A mulher teria sofrido ferimentos, especificamente na boca, por onde sangrava. Ela detalhou, de acordo com a Polícia Civil, ameaças de morte e de divulgação de fotos íntimas, supostamente. Ademais, Guilherme Vieira, durante interrogatório, manteve silêncio.
O que diz a defesa
O advogado Leonel Carivali, à frente da defesa de Guilherme Vieira, apontou que seu cliente acionou o 15º BPM, prestando esclarecimentos na chegada da guarnição. Igualmente, adicionou que o laudo médico constata lesões nos dois envolvidos.
“Ele nega as alegações”, enfatizou Leonel Carivali que, além de advogado, também é ex-subchefe de Polícia. A nota da defesa pode ser lida na íntegra, ao final desta matéria.
O que diz Ranolfo Vieira Júnior
A reportagem da Rádio Guaíba contatou o secretário-chefe da Casa Civil, que, por mensagens, disse que estar em compromissos profissionais e que, por isso, não poderia atender ligações. Além disso, destacou que, por hora, não faria manifestações.
“Os fatos são de natureza privada, motivo pelo qual não me manifestarei neste momento”, afirmou o ex-governador. Logo, Ranolfo Vieira Júnior enviou nota, que pode ser lida na íntegra ao final desta matéria.
Leia a nota do advogado Leonel Carivali, que representa Guilherme Vieira
Diante de informações recentemente noticiadas acerca de fatos envolvendo o advogado Guilherme Vieira, cliente deste escritório, e considerando a existência de divergências relevantes entre tais informações e os elementos documentais já juntados ao procedimento policial apuratório, cumpre-nos prestar os seguintes esclarecimentos:
1. Quanto ao horário e ao local dos fatos Ao contrário do que foi noticiado, o fato não ocorreu às 23h. Conforme consta do procedimento, ocorreu por volta das 10h da manhã do dia 13 de agosto. Na ocasião, ambos se encontravam na residência do advogado, local em que sua ex-companheira, também advogada, visitava.
2. Quanto ao acionamento da Polícia Militar É importante destacar que o advogado Guilherme Vieira acionou a Polícia Militar, utilizando seu próprio telefone. Está documentado. Ele permaneceu no local, aguardou a chegada dos agentes públicos e prestou os esclarecimentos iniciais, circunstâncias que encontram respaldo nos documentos e depoimentos constantes do procedimento policial.
3. Quanto às lesões constatadas Como de praxe, ambos foram submetidos a exame médico, tendo sido constatadas lesões corporais leves e recíprocas. O laudo médico da ex-companheira, contudo, não registra “diversos hematomas”, como equivocadamente noticiado.
4. Quanto a supostos episódios anteriores de violência Não constam quaisquer registros policiais que indiquem a ocorrência de violência física ou psicológica anterior envolvendo o ex-casal. Além disso, testemunha residente no mesmo local, que teve contato com ambos após os fatos, declarou nunca ter presenciado, ao longo da convivência, qualquer situação de animosidade entre eles.
5. Respeito à apuração e ao devido processo legal O cliente e este escritório reafirmam seu repúdio a toda forma de violência, especialmente à violência de gênero, e reconhecem a importância de que fatos dessa natureza sejam rigorosamente apurados. Da mesma forma, é indispensável que a divulgação de informações sobre casos ainda submetidos à investigação observe os elementos efetivamente constantes dos autos, evitando-se a formação de narrativas que não encontrem respaldo na documentação produzida.
O advogado Guilherme Vieira reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal. Está sereno e tem convicção de que os elementos constantes no inquérito e no processo judicial demonstrarão com clareza a real dinâmica dos fatos. A defesa, por sua vez, acompanhará a apuração com serenidade, respeito às instituições e firmeza na preservação dos direitos e garantias assegurados constitucionalmente.
Leia a nota Ranolfo Vieira Júnior
Nota à imprensa Sobre os fatos envolvendo o advogado Guilherme Vieira, tenho ciência da situação. Guilherme é meu filho, tem 28 anos de idade, há anos não mais residindo com os pais, independente, portanto. Os acontecimentos relatados ocorreram na esfera da vida privada dele. Reitero meu absoluto repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher. Essa sempre foi, e continuará sendo, minha posição pessoal e pública, pautada pelo respeito, pela dignidade e pela defesa dos direitos das mulheres. Confio plenamente nas instituições e no regular processo de apuração dos fatos, com respeito ao devido processo legal.
A nota divulgada pela defesa traz esclarecimentos relevantes sobre as circunstâncias que antecederam, envolveram e sucederam os acontecimentos relatados, contribuindo para uma compreensão mais completa da situação. Neste momento, considero importante aguardar a conclusão das apurações pelas autoridades competentes, evitando julgamentos precipitados e assegurando o pleno esclarecimento dos fatos.
Ranolfo Vieira Júnior


