
A Polícia Civil prendeu temporariamente um homem suspeito de participação na morte de Ismayne Cardoso Gonçalves, de 26 anos, encontrada com sinais de violência na praia do Cassino, em Rio Grande. A prisão representa um avanço na investigação, que, até o fim de julho, ainda não tinha suspeitos identificados nem elementos suficientes para confirmar a motivação do crime.
A prisão foi realizada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Rio Grande após a Polícia Civil reunir elementos que apontaram para a possível participação do investigado. A medida foi decretada pelo Poder Judiciário a partir de representação da corporação e tem como objetivo assegurar o prosseguimento das diligências e a coleta de elementos de prova. O caso é tratado, neste momento, como feminicídio.
Em julho, após a morte, a investigação ainda era marcada por incertezas. Familiares, amigos e ex-companheiros de Ismayne haviam sido ouvidos, mas nenhum dos depoimentos havia apontado um possível autor ou esclarecido a motivação. A Polícia Civil também analisava imagens de câmeras de monitoramento e aguardava resultados de exames periciais.
Segundo a delegada Alexandra Perez Sosa, responsável pela investigação, o homem preso permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Até o momento, também não foi identificada uma relação entre o suspeito e a vítima. A ausência de uma relação conhecida entre os dois é um dos pontos que ainda serão esclarecidos pela investigação. Conforme Alexandra, as diligências continuam para determinar as circunstâncias do crime e, caso não sejam confirmados elementos que caracterizem violência motivada por questões de gênero, a tipificação poderá ser reavaliada.
Entenda o caso
Ismayne foi encontrada morta na noite de sábado, 18 de julho, próximo às dunas da praia do Cassino. Na ocasião, populares ouviram gritos vindos da região da beira da praia e foram até o local. A jovem já estava sem sinais vitais quando foi localizada. Ela apresentava múltiplos ferimentos na cabeça e no rosto provocados por objeto contundente.
Durante a investigação, a Polícia Civil analisou imagens de câmeras instaladas na avenida Beira-Mar. As gravações mostraram Ismayne caminhando sozinha em direção à praia, sem que outra pessoa aparecesse acompanhando ou seguindo a jovem.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de ela ter deixado o telefone celular em casa. A apuração também não havia identificado, naquele momento, mensagens que indicassem encontro marcado ou outro compromisso que pudesse explicar a ida dela até o local.
A perícia no celular e no computador utilizados pela vítima, além do laudo de necropsia e outros exames solicitados pela Polícia Civil, foram incluídos entre os elementos que poderiam ajudar a reconstruir os últimos momentos da jovem.
Agora, com a prisão temporária, a investigação passa a contar com um suspeito identificado, mas ainda busca esclarecer qual teria sido a participação dele no crime, se houve relação anterior com Ismayne e qual foi a motivação para a violência. A Polícia Civil também poderá reavaliar a classificação do caso conforme os elementos reunidos ao longo das próximas diligências.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo

