
O crédito concedido diretamente pelo varejo mais que dobra o valor médio das compras em relação ao cartão bancário. Nas operações processadas pela RPE (Retail Payment Ecosystem), o tíquete médio do crédito próprio chegou a R$ 305,82, ante R$ 143,52 no cartão de crédito tradicional, uma diferença de 113%. O dado faz parte da primeira edição do Relatório de Crédito do Varejo (RCV-RPE), que consolida aproximadamente 15,9 bilhões de registros anonimizados de 2024 e 2025. A análise reúne operações de redes nacionais e regionais com cartão private label, cartão co-branded, crediário ou carnê digital, CDC e Buy Now, Pay Later.
Na média da base estudada, os meios de pagamento próprios responderam por 15,52% do volume vendido pelas redes. A participação, porém, varia de forma acentuada entre os segmentos. Em moda, vestuário e calçados, o índice chegou a 58,77%. No setor alimentar, alcançou 26,75%, enquanto eletromóveis e construção registraram 14,80%.
O avanço ocorre em um período de juros elevados e de menor fôlego para o consumo de bens dependentes de financiamento. O relatório mostra que o parcelamento deixou de estar restrito às compras de maior valor e passou a financiar também despesas de abastecimento. No segmento alimentar, o tíquete médio das compras parceladas chegou a R$ 311,86, com alta anual de 6,94%.
Entre as estratégias examinadas, a oferta de um preço mais baixo para pagamentos com o cartão da própria rede aparece associada aos maiores indicadores de recorrência e gasto. Nas operações supermercadistas que adotam o chamado “Preço 2”, a frequência média chegou a 29,08 visitas por ano em 2025, com gasto anual médio de R$6.859. No padrão do varejo alimentar analisado, foram 15,66 visitas e R$ 3.696. O estudo ressalta que a relação não deve ser interpretada como causalidade isolada.
CRÉDITO SELETIVO
A concessão de crédito também ficou mais seletiva. A taxa de aprovação caiu 19,82% entre clientes de 31 a 40 anos e 13,22% na faixa de 18 a 30 anos. Ao mesmo tempo, o limite médio dos clientes mais jovens subiu 11,86%, para R$ 449,93. Entre os aprovados de 18 a 30 anos, 77,62% usaram o cartão no mesmo dia da emissão.
Na outra ponta, os consumidores com 60 anos ou mais receberam o maior limite médio da base, de R$ 782,06, mas deixaram 75,10% do valor disponível sem uso. O tempo de relacionamento também aparece ligado ao pagamento: 83,06% dos clientes com mais de dez anos de vínculo estavam em dia, o maior percentual observado pelo levantamento.
A versão completa do Relatório de Crédito do Varejo será disponibilizada no RPE Summit 2026, marcado para 13 de agosto de 2026. Com o tema “Forward: O Varejo Além da Venda”, o encontro será exclusivo para convidados e voltado a tomadores de decisão, especialistas e executivos dos setores de varejo, serviços financeiros, fintechs e tecnologia, com debates sobre pagamentos, crédito, inovação financeira e estratégias para o setor.
Os resultados refletem as operações processadas pela RPE e indicadores públicos usados para contextualização. Como a base não constitui uma amostra probabilística do varejo brasileiro, os números não devem ser interpretados como estimativas para a totalidade do mercado nacional.


