
O diretor do Departamento de Proteção a Grupos Vulneráveis (DPGV), delegado Juliano Ferreira, que estava de sobreaviso no atendimento do feminicídio de Priscila Rosa da Silva, 41 anos, na Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre, no domingo (9), assegura a operacionalidade integral da categoria. De acordo com Ferreira, o trabalho em ocorrências vai além do local do crime, incluindo, também, atuação remota.
“Estamos 24 horas de sobreaviso, mas nem sempre vamos ao local do crime. Por telefone, coordenamos equipes e atendemos imprensa, entre outras funções. Estou disponível a qualquer dia e horário, e sei que o mesmo também vale aos outros delegados”, afirma Ferreira.
A presença de delegados em regime de sobreaviso chamou atenção no último domingo. Isso porque, em outras palavras, esse deslocamento é, em geral, feito por delegados plantonistas, junto a uma equipe de agentes, ou seja, comissários, inspetores e escrivães.
Juliano Ferreira aponta que delegados não ganham por hora extra e que o adicional do sobreaviso não tem valor fixo. Logo, calcula receber, em sobreaviso, pouco mais de R$ 2 mil ao mês, além do salário, ao invés de R$ 4,3 mil, contrariando a estimativa padrão.
“O valor que recebo em sobreaviso acaba sendo dividido com outros colegas do departamento. Além disso, para receber a quantia, é necessário demonstrar serviço. Quem não está na escala, ou não comprova sobreaviso, obviamente não tem essa remuneração”, enfatizou o delegado.
Entenda o sobreaviso policial
Em vigor por decreto, desde 2025, o sobreaviso da Polícia Civil é o período em que servidores ficam à disposição fora do horário de expediente, aguardando eventual convocação. Assim, devem estar acessíveis e disponíveis, conforme escala previamente definida.
No caso dos agentes, o valor do sobreaviso varia, em média, de R$ 1,5 mil a R$, 1,6 mil por mês, além do salário, sendo a remuneração adicional calculada por hora, em um terço do valor da hora extra. Ademais, não podem deixar de ir aos locais de crime, ao contrário dos delegados.
Feminicídio na Lomba do Pinheiro
Priscila Rosa da Silva e Eduardo Lopes dos Santos ficaram juntos por 19 anos, estando separados há cerca de seis meses. Desde então, ela tinha Medida Protetiva de Urgência (MPU) contra o ex.
Na data do crime, o sujeito escalou o portão da casa da vítima, arrombou a porta e executou-a, na presença da ex-sogra. Ele também morreu, após atentar contra si mesmo.
Veja vídeos da ocorrência
Delegados após feminicídio na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre – Vídeo: Marcel Horowitz / Rádio GuaíbaImóvel de vítima feminicídio na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre – Vídeo: Marcel Horowitz / Rádio Guaíba
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Fonte: Marcel Horowitz


