
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) solicitou à Justiça o arquivamento da investigação envolvendo a pré-candidata ao governo do Estado, Juliana Brizola (PDT), por suposta apropriação de dinheiro de sua avó Dóris Hartz Daudt. Na prestação de contas apresentada à Justiça, ficou comprovado que não houve desvio de recursos. Os empréstimos mencionados durante a investigação eram de responsabilidade exclusiva da própria Juliana, que sempre os quitou com recursos pessoais. Além disso, os extratos bancários divulgados diziam respeito apenas a despesas realizadas no cartão pessoal de Juliana.
O caso decorreria de uma notícia-crime feita pelo jornalista Alfredo Daudt Júnior, tio de Juliana, na Delegacia de Proteção ao Idoso, em março do ano passado. Ele mora em Garopaba, em Santa Catarina e obteve direito à curatela da mãe após mover uma ação contra a sobrinha por divergências sobre possível envio da idosa a um lar geriátrico. O filho queria interná-la. E Juliana era contra. A decisão judicial acabou sendo revertida, e a curatela voltou para a neta, que dividia uma conta bancária com a avó desde 2018.
A decisão do MP registra que as questões patrimoniais foram integralmente esclarecidas na esfera cível.
Filha de criação da avó, Juliana Brizola foi a única familiar residente em Porto Alegre durante os últimos anos de vida de Dóris.
Para Juliana, a decisão encerra uma das fases mais dolorosas de sua vida. “Recebo com serenidade a decisão do Ministério Público, que chegou à conclusão que eu sempre soube que chegaria: nunca houve qualquer irregularidade. O patrimônio da minha avó estava preservado. E as informações que foram divulgadas de forma covarde eram apenas despesas do meu cartão pessoal”, disse através de sua assessoria.
Para a pré-candidata, o episódio extrapolou qualquer limite da disputa política ao transformar uma relação de cuidado familiar em instrumento de ataque. “A verdade é que usaram a memória de uma senhora de 99 anos, que viveu sob meus cuidados até o último dia da sua vida, como arma política para me atacar. Ela foi a mulher que me criou. A mulher que me ensinou os valores que carrego até hoje.”


