
O governo federal anunciou nesta quarta-feira (22) o lançamento do Plano Brasil Soberano III, que prevê R$ 18,5 bilhões em novas linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, além de setores considerados estratégicos para a economia brasileira. O pacote foi apresentado durante cerimônia no Palácio do Planalto, na qual também foi sancionada a lei que transforma em definitivo as medidas do Brasil Soberano II.
Do total de recursos previstos, R$ 13,5 bilhões virão do Tesouro Nacional, por meio da realocação de recursos não utilizados em linhas anteriores, e R$ 5 bilhões serão aportados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os recursos serão operados pelo banco de fomento.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o lançamento do programa é uma demonstração de que o governo pretende responder às tarifas impostas pelos Estados Unidos com a diversificação de mercados e o fortalecimento da economia. Segundo ele, o país continuará buscando uma negociação com o governo norte-americano, mas também ampliará as relações comerciais com outros parceiros.
“Não há crise que impeça o Brasil de fortalecer sua trajetória, de continuar a economia crescendo”, ressaltou. Lula acrescentou que o Brasil “não vai ficar chorando pelo produto que a gente não vendeu para eles”, porque buscará “outros compradores” e seguirá negociando “com quem quer negociar, vender para quem quer comprar e comprar de quem quer vender”.
Programa dividido em três frentes
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o programa será dividido em três frentes de atendimento: empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos, setores industriais estratégicos — como químico, farmacêutico, automotivo, fertilizantes e minerais críticos — e empresas exportadoras.
“O que nós propusemos neste momento é a edição de uma medida provisória relativa ao Brasil Soberano III, que prevê o valor de R$ 18,5 bilhões de apoio a esses setores, agora não só os afetados pelas tarifas da Seção 232, mas também da Seção 301, além daqueles setores afetados pelos conflitos internacionais e setores estratégicos para a balança comercial brasileira”, afirmou.
Moretti destacou que os recursos serão liberados gradualmente pelo BNDES, conforme definição de um comitê gestor, que estabelecerá cotas para cada segmento contemplado. Entre as linhas previstas estão financiamentos para capital de giro, investimentos, bens de capital e projetos ligados a minerais críticos, com taxas de juros diferenciadas.
O ministro também fez um balanço das fases anteriores do programa. Segundo ele, o Brasil Soberano I executou mais de mil operações, com 77% dos recursos destinados à indústria de transformação. Já o Brasil Soberano II movimentou quase R$ 20 bilhões, com foco no apoio aos exportadores, investimentos e diversificação de mercados.
Durante a cerimônia, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, afirmou que o novo programa é uma resposta aos impactos provocados por uma “tarifação injusta e descabida” aplicada ao Brasil e ressaltou o papel do Estado em momentos de crise.
“O Brasil Soberano foi criado para as empresas que perderam mercado, para as empresas afetadas, para garantir o emprego, para que elas se recuperem e conquistem novos mercados, fruto de uma tarifação injusta e descabida que o Brasil sofreu”, salientou.
Diversificação de mercados
Alckmin também destacou que a estratégia de diversificação de mercados tem produzido resultados. Segundo ele, o Brasil registrou recorde de US$ 349 bilhões em exportações em 2025 e, no primeiro semestre deste ano, alcançou US$ 184,8 bilhões.
O vice-presidente afirmou ainda que os acordos comerciais firmados pelo Mercosul têm ampliado as vendas externas brasileiras. De acordo com ele, apenas o acordo entre Mercosul e União Europeia elevou em US$ 2 bilhões as exportações brasileiras para o bloco nos últimos 60 dias.
Além das linhas de crédito, o Brasil Soberano III prevê mecanismos voltados às micro e pequenas empresas, como seguro-garantia e incentivos às exportações, dentro da estratégia do governo de preservar empregos, fortalecer a indústria nacional e ampliar a presença do Brasil no comércio internacional.
Fonte: R7


