
Os negociadores brasileiros estão na expectativa de mais uma rodada de diálogo em alto nível entre Brasil e Estados Unidos. Outros quatro encontros já foram feitos sem que houvesse avanço nas negociações. A última conversa deve ocorrer nos próximos dias, antes de 15 de julho, e, do lado brasileiro, a expectativa é que o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, dê sinalizações de quais medidas devem ser adotadas contra o Brasil pelos norte-americanos.
Nos bastidores do governo, a taxação para os produtos brasileiros exportados é dada como certa. A dúvida é sobre como as tarifas serão aplicadas. Pode haver, por exemplo, um cronograma de implementação, com uma data futura para que as taxas comecem a valer. Isso daria tempo para que as cargas que estão a caminho dos Estados Unidos cheguem antes do novo tarifaço.
Os negociadores também não descartam que o país aumente a lista de produtos excluídos da taxação. Mas também não ignoram que outros produtos sejam reincluídos. Existe uma demanda dos produtores de carne norte-americanos para que o produto brasileiro seja sobretaxado.
Sem novo encontro entre Lula e Trump
Nesta sexta-feira, o presidente Lula se reuniu com os ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e reforçou que o Brasil deve se manter na mesa de negociação até o último minuto, reforçar que as tarifas são injustas, apresentar possibilidades, mas nunca fazer concessões em determinados assuntos, como o Pix.
O governo brasileiro também não descarta o uso da lei da reciprocidade em resposta a um novo tarifaço. No entanto, a aplicação do mecanismo não seria imediata, já que a lei prevê um processo para a aplicação da reciprocidade, incluindo até audiências públicas. O uso do recurso também prevê proporcionalidade, por isso é necessário esperar como será a taxação norte-americana para estudar uma eventual resposta brasileira.
Assessores do presidente descartam a possibilidade de uma nova conversa entre ele e o presidente norte-americano Donald Trump. Mas cogitam que as negociações possam continuar mesmo depois do anúncio a ser feito pelos EUA em 15 de julho.


