
Os dados setoriais de junho mostraram recuo na atividade econômica brasileira. Nos serviços, o indicador mostrou forte recuo de -5,9% m/m, devolvendo a dinâmica positiva registrada nos serviços prestados às famílias em março, abril e maio. Os dois indicadores de alojamento e alimentação (-6,5% m/m) e outros serviços às famílias (-1,2% m/m) recuaram no mês. Os dados são do indicador Getnet.
No varejo, o indicador ampliado contraiu -1,4% m/m; já o restrito viu queda mais marginal, de -0,2% m/m. O desempenho negativo foi difuso, atingindo todas as aberturas, com destaques negativos em: combustíveis (-4,9% m/m); vestuário (-4,6% m/m); móveis e eletrodomésticos (-4,4% m/m); materiais de construção (-3,9% m/m) automóveis, partes e peças (-2,5% m/m).
Seguimos observando que a política monetária contracionista está influenciando os resultados de atividade e que os estímulos fiscais iniciados no 1T26 estão perdendo o fôlego. Projetamos arrefecimento da atividade no segundo trimestre
“Os dados de junho reforçam uma perda de tração da atividade econômica, especialmente nos segmentos mais sensíveis à renda disponível e ao crédito. Após meses de desempenho positivo, serviços prestados às famílias e varejo voltaram a recuar, sugerindo que os efeitos da política monetária contracionista seguem presentes e que os estímulos fiscais do início do ano começam a perder força. Mesmo com eventos de grande apelo, como a Copa do Mundo, que tendem a impulsionar consumo em alimentação, bares, restaurantes, supermercados e bens ligados ao entretenimento, o resultado agregado de junho indica que esse efeito não foi suficiente para compensar a desaceleração mais ampla da demanda, destaca Henrique Danyi, economista do Santander
SERVIÇOS E VAREJO
O segmento de serviços prestados às famílias, após três meses de resultados positivos, mostra forte recuo em junho. Na métrica interanual, o indicador continua em queda (-7,0% a/a). Os dados referentes aos serviços de alojamento e alimentação e outros serviços às famílias recuaram em junho. O segmento de alojamento e alimentação apresentou uma forte contração de -6,5% m/m. Na mesma direção, os dados de outros serviços às famílias mostram recuo de -1,2% m/m.
Após três meses de resultado positivos, os desempenhos negativos das aberturas de junho fizeram com que o indicador chegasse aos níveis mais baixos desde março de 2022. Nossa leitura é que a política monetária possa estar tendo uma influência mais forte nos serviços prestados às famílias e que a resiliência do mercado de trabalho e impulsos fiscais possa estar perdendo o fôlego.
O varejo caiu em junho, após performance crescimento em maio, junho recua de forma quase total o desempenho de maio. Na métrica interanual, o índice continua em queda (-0,4% a/a). O índice restrito seguiu a mesma direção, porém com um rimo mais lento, e recuou -0.2% m/m, na métrica interanual o índice mostrou recuo (-7,2% a/a).
Olhando para a abertura dos segmentos que compõe o índice restrito, combustíveis (-4,9% m/m); móveis e eletrodomésticos (-4,4% m/m); vestuário (-4,0% m/m); outros artigos de uso pessoal (-1,5% m/m); artigos farmacêuticos (-0,2% m/m) e supermercados (-0,1% m/m) recuaram em junho. Olhando para o IGet ampliado, vemos também a contração nos indicadores: materiais de construção (-3,9% m/m) e automóveis, partes e peças (-2,5% m/m) recuaram nesse mês.
Apesar do potencial efeito positivo da Copa do Mundo sobre categorias como alimentação fora do domicílio, supermercados, bebidas, eletrônicos e serviços de entretenimento, os dados de junho apontam que o impacto do evento foi limitado diante de um ambiente ainda marcado por juros elevados, menor impulso fiscal e desaceleração do consumo das famílias.


