
Os últimos dados do IAV-IDV (Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo) nominal, que considera a participação das atividades no volume total de vendas do comércio varejista medido pelo IBGE, apresenta previsão de crescimento de 3,7% em junho, 3,1% em julho e 1,3% em agosto, sempre em relação aos mesmos meses do ano anterior. Em maio, houve queda de 0,8%. Já os dados apresentados pelo IAV-IDV, ajustados pelo IPCA, apontam queda de 1,1% em junho, 1,7% em julho e 3,7% em agosto. Em maio, houve queda de 5,5% em relação ao mesmo mês de 2025.
Esta queda real em maio de 5,5% acentua o arrefecimento do varejo neste ano, haja vista que o crescimento anual do Comércio Varejista Ampliado em 2025 foi de 3,9%, conforme dados do IBGE; e nos últimos 12 meses, finalizados em maio/26, a variação acumulada foi negativa, de -0,4%. Vários fatores estão levando a este comportamento restritivo no mercado, tais como o elevado endividamento da população, que atingiu 81,6% das famílias, alcançando 29,9% de inadimplência, a perda do poder aquisitivo, corroído pela inflação crescente, e, a partir de maio, um quadro agravado pela Medida Provisória nº 1.357/2026, de 12 de maio de 2026, que zerou o Imposto de Importação das vendas por plataformas eletrônicas cross-border, acentuando, a partir da promulgação da MP, a queda das vendas no mercado interno brasileiro, pois prejudica todos os setores do varejo, não só o de vestuário.
Outra consequência registrada em função do arrefecimento do mercado apontado acima e que pode ser agravada com o Imposto de Importação com tarifa zero (taxa das blusinhas) é o fechamento de postos de trabalho, que, segundo dados do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego/CAGED), em 2026, já perdeu 60.000 vagas no comércio varejista.
Em maio, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV, ficou relativamente estável ao variar -0,1 ponto em junho para 88,7 pontos. O resultado do ICC reflete variações contrárias dos seus componentes. Já o IPCA cresceu 0,58% em maio, sendo que as maiores variações do mês ocorreram nos grupos de alimentação e bebidas, com alta de 1,33%, e habitação, com crescimento de 1,22%. No acumulado em 12 meses, o IPCA cresceu 4,72%.
“Em sua ata, o Copom reforçou que os riscos para que a inflação surpreenda para cima são maiores hoje do que as ameaças para baixo e deixou em aberto o tamanho do ciclo de queda da taxa Selic para avaliar a evolução do cenário. O racional da decisão combinou evidências de transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade, inflação recente mais forte e um ambiente ainda marcado por elevada incerteza externa” explica Jorge Gonçalves Filho, presidente do IDV.
As projeções são feitas a partir dos dados individuais que cada associado do IDV informa em relação à sua expectativa de faturamento para os próximos três meses. Esse conjunto de empresas que compõem o índice possui representantes em todos os setores do varejo e corresponde a, aproximadamente, 20% das vendas no varejo brasileiro.
IAV Setorial
Em maio, quase todos os setores do índice apresentaram alta nas vendas, com exceção de hipermercados e supermercados. No setor de hipermercados e supermercados, maio teve queda de 6,6% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 3,2%, 3,3% e 1,4%, respectivamente. No setor de atacado, maio teve alta de 2,0% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 3,0%, 2,4% e 2,7%, respectivamente.
No setor de material de construção, maio teve leve alta de 0,2% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para junho e julho, a previsão é de alta de 5,6% e 2,9%, respectivamente. Já para agosto, a previsão é de leve queda de 0,5%. No setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico, maio teve alta de 6,3% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 9,6%, 9,9% e 1,1%, respectivamente.
No setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, maio teve alta de 7,4% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 11,1%, 11,1% e 2,4%, respectivamente. No setor de móveis e eletrodomésticos, maio teve alta de 1,1% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 9,9%, 2,2% e 3,1%, respectivamente. No setor de tecidos, vestuário e alçados, maio teve alta de 5,8% em relação ao mesmo mês de 2025, acima do previsto no mês anterior. Para junho, julho e agosto, a previsão é de alta de 7,7%, 5,7% e 5,1%, respectivamente.


