
A nova versão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes de segurança da saúde para os trabalhadores, desde o dia 26 de maio entrou em vigor para contemplar fatores de risco à saúde mental no ambiente profissional. Atentar-se ao mapeamento dos riscos psicossociais e entender como será a dinâmica, que irá envolver não só os recursos humanos, mas toda a engrenagem de uma empresa, são fatores essenciais levantados por especialistas. O tema foi discutido no Fecomércio-RS Debate nesta segunda-feira, em Porto Alegre, com a presença de Alessandra Lucchese, especializada na área trabalhista empresarial e em Direito do Trabalho, e Elisa Zingano, especialista em Gestão de Pessoas e Lideranças.
Desmistificar a NR-1 aos pequenos e médios produtores e tratar do ponto de vista de gestão de riscos e trabalhistas foi levantado por Alessandra, que também explicou o que os empresários têm na mão e que podem utilizar para mapear os riscos, por meio de ferramentas de gestão. “Isso pode ser positivo em termos de arcar bolsa de evidências, de mostrar que a empresa está olhando para o seu capital humano e para a sua organização do trabalho”.
Os riscos da NR-1 não são novos, mas, agora, há um holofote sobre eles, lembra a profissional, aumentando os riscos para a organização do trabalho. Agora, novas perguntas devem ser feitas no ambiente. “Como o trabalho acontece? Como a divisão de tarefas acontece? Como as pessoas recebem as ordens? Como os líderes dão as ordens para que as pessoas executem? O olhar é para o meu ambiente de trabalho. Não para o ser humano, e sim para a coletividade”, cita.
Alessandra lembra que a gestão de riscos passa pelo olhar de quem administra o negócio, que pode ser feito por qualquer empresário, assim como a gestão dos riscos de venda, do fornecedor e da matéria-prima, que precisa estar dentro do programa de gerenciamento de riscos. “Por que não os riscos do ambiente de trabalho? É tirar essa viseira, esse ponto cego, e olhar para dentro do negócio”, indaga.
Independentemente da implantação da NR-1 como norma, Alessandra Lucchese lembrou que estão sendo mitigados riscos e evitando custos que a falta do cuidado com as pessoas continha anteriormente. “Obviamente que cuidar das pessoas deveria ser uma prática de toda empresa. Mas a gente está falando de custo de absenteísmo, de presenteísmo, de turnover (rotatividade), de acidente de trabalho, de baixa qualidade, de desmotivação. Tudo isso vai impactar no resultado do negócio. Quando a gente olha os dados de afastamento e tudo que está acontecendo no mundo em relação à saúde mental, a gente tem algo muito sério pra cuidar”, disse.
Mapear riscos envolve diagnóstico constante por parte das empresas, destacou a especialistas. Apesar de não havre uma metodologia específica indicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, deve haver instrumentos quantitativos e, se possível, qualitativos para esse mapeamento. “Isso é muito importante para entender realmente qual é a situação, de onde eu parto, para que eu possa gerenciar isso de uma forma eficiente e assertiva”.
Fonte: Correio do Povo