
A indústria eletroeletrônica do Rio Grande do Sul apresentou desaceleração nos principais indicadores em abril de 2026, após os resultados positivos observados no mês anterior. Levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) aponta redução no ritmo de vendas e encomendas, aumento das pressões sobre custos e maior preocupação das empresas com o cenário econômico.
Na comparação com março, caiu o percentual de empresas que registraram crescimento nas vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, passando de 63% para 42%. Já na comparação com o mês imediatamente anterior, os relatos de aumento nas vendas recuaram de 68% para 21%. Também cresceram as avaliações de negócios abaixo das expectativas, que passaram de 37% para 50%.
O mercado de trabalho mostrou maior estabilidade. Houve redução no percentual de empresas que ampliaram o quadro de funcionários, enquanto aumentou a parcela das organizações que mantiveram o número de empregados estável. A utilização da capacidade instalada permaneceu em 79%, repetindo o resultado de março.
No comércio exterior, embora a maioria das empresas ainda relate crescimento das exportações, o desempenho perdeu intensidade. Além disso, voltaram a surgir relatos de queda nas vendas externas, situação que não havia sido registrada no levantamento anterior.
Os custos continuam sendo o principal ponto de atenção do setor. A pesquisa mostrou avanço expressivo das empresas que percebem alta nos preços de componentes e matérias-primas, índice que passou de 18% em dezembro para 74% em abril. Entre os itens citados estão cobre, latão, polímeros, PVC e memórias. Também aumentaram as dificuldades para aquisição de componentes, especialmente semicondutores.
Mesmo em um ambiente de maior cautela, a expectativa segue positiva para o ano. A maior parte das empresas ainda projeta crescimento em 2026, embora em ritmo mais moderado, diante de fatores como inflação, juros elevados, instabilidade internacional e incertezas relacionadas ao cenário eleitoral.