
Influenciados principalmente pela cadeia petrolífera, os preços da indústria nacional subiram 2,63% em abril frente a março (2,28%), alcançando o maior resultado desde março de 2022 (3,12%). Nos últimos 12 meses, o Índice ficou em 1,07%, sendo o primeiro resultado positivo desde agosto de 2025 (0,47%). Já o acumulado no ano foi de 5,12%, o terceiro maior já registrado para um mês de abril desde o início da série histórica, em 2014.
As informações são do Índice de Preços ao Produtor (IPP) das Indústrias Extrativas e de Transformação, divulgadas hoje pelo IBGE. A pesquisa mede os preços de produtos “na porta de fábrica”, sem impostos e fretes, e abrange as grandes categorias econômicas.
Um total de 21 das 24 atividades industriais investigadas na pesquisa apresentaram variações positivas de preço ante o mês imediatamente anterior. Em comparação, 19 atividades haviam apresentado maiores preços médios em março em relação a abril.
As quatro variações mais intensas foram em outros produtos químicos (9,91%); borracha e plástico (7,31%); refino de petróleo e biocombustíveis (6,44%); e indústrias extrativas (4,92%). De acordo com Alexandre Brandão, gerente de análise e metodologia, os resultados do IPP de abril foram fortemente influenciados pelo contexto internacional:
“A explicação para o impacto na cadeia petrolífera está no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Então, se olharmos o resultado positivo de abril contra março de 2026 (2,63%), vemos que é o maior resultado desde março de 2022, quando foi de 3,12%. Interessante observar que são dois momentos em que os conflitos internacionais estão impactando essas cadeias produtivas. Lá em 2022, era o início da guerra entre a Rússia e a Ucrânia”.
Dentre as quatro principais influências no índice de março, três fazem parte da cadeia dos derivados de óleo bruto de petróleo. Nesse sentido, Outros produtos químicos foi o setor industrial de maior destaque na composição do resultado agregado, na comparação entre os preços de abril e os de março. A atividade foi responsável por 0,80 ponto percentual (p.p.) de influência na variação de 2,63% da indústria geral. Ainda neste quesito, outras atividades que também sobressaíram foram refino de petróleo e biocombustíveis, com 0,63 p.p. de influência, alimentos (0,34 p.p.) e borracha e plástico (0,29 p.p.).
A partir da ótica das grandes categorias econômicas investigadas pela pesquisa, a principal influência em abril veio de Bens intermediários (2,23 p. p.). Alexandre Brandão ressalta que dos dez produtos que compõem Bens intermediários, nove tiveram variações positivas em abril – sendo oito deles integrantes da cadeia do petróleo.
“O único que está na contramão desse aumento é Minérios de ferro em virtude de uma oferta maior, tanto no Brasil como na Austrália, bem como em função dos estoques elevados na China, por causa da menor demanda do país na construção. Outro fator é o câmbio, com apreciação do real frente ao dólar”, explica o gerente.