
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) tinha um “vínculo pessoal estreito” com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que, além de manter encontros “frequentes”, bancava os gastos do político no exterior, aponta a Polícia Federal. Segundo as investigações, a relação dos dois viabilizou o alinhamento político necessário para os aportes bilionários do RioPrevidência.
Além da facilitação da liberação dos investimentos, a proximidade entre Vorcaro e Castro foi estratégica para a nomeação de dirigentes do RioPrevidência em cargos-chave, como presidência, diretoria de investimentos e gerência de investimentos.
Em nota, o advogado de Cláudio Castro, Carlo Luchione, informou que as buscas na casa do político ocorreram “sem qualquer intercorrência” e que o investigado colaborou com as investigações. Segundo a defesa, a decisão do ministro André Mendonça ainda está sendo analisada para definir quais medidas serão tomadas.
Os indicados eram responsáveis por assegurar que as decisões de credenciamento e de aplicação de recursos previdenciários fossem conduzidas em “desconformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas em consonância com os interesses do Banco Master”.
“Os indícios apontam, ainda, para a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis, viabilizando-se a manutenção do fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica”, detalha a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.
Operação Compliance Zero
Em uma nova fase da operação Compliance Zero, a Polícia Federal investiga possíveis transferências de recursos do estado fluminense para fundos vinculados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O ex-governador, que está entre os alvos, teria direcionado cerca de R$ 3 bilhões ao conglomerado controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, por meio de diferentes movimentações financeiras. Os recursos seriam oriundos do Rioprevidência, que gerencia os pagamentos feitos a aposentados e pensionistas do estado.
Essa é a segunda vez em 11 dias que Castro é alvo de buscas da PF. Em 15 de maio, durante a Operação Sem Refino — que investiga possíveis ligações da gestão do ex-governador com o Grupo Refit —, os agentes apreenderam o celular e um tablet do ex-governador.
A PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no estado do Rio de Janeiro, com o imóvel de Casto, na cobertura de um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, entre os locais visitados pelas equipes de investigadores. A autorização para a força-tarefa partiu do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Fonte: R7