
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta quinta-feira (7) que, na reunião que teve com o presidente americano, Donald Trump, não tratou da possível classificação de organizações criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como grupos terroristas por parte dos EUA.
“Não foi discutido isso [classificar organização criminosa como grupo terrorista]. Não discutimos facção criminosa e terrorismo com o presidente Trump”, disse Lula em declaração dada nesta tarde em uma coletiva de imprensa em Washington, D.C.
Apesar disso, Lula afirmou que conversou com Trump sobre organizações criminosas e como melhorar o combate ao crime. Segundo ele, o assunto é considerado “tabu” por algumas pessoas.
“Resolvemos discutir aqueles assuntos que pareciam tabus. Sobre a questão do crime organizado, eu disse a ele [Trump] que muitas vezes os EUA falavam em combater esse problema tendo bases militares em outros países, quando, na verdade, é preciso que a gente crie alternativas econômicas para, ao invés de produzirem drogas, produzirem coisas que possamos vender e comprar”, falou.
Grupo de trabalho internacional
O presidente também sugeriu a Trump a possibilidade de criar um grupo de trabalho com outros países que focaria em acabar com as facções criminosas do continente.
“Disse para ele que nós estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, com todos os países da América Latina e com todos os países do mundo, para a gente criar um grupo forte de combate ao crime organizado. Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos, e o Brasil tem expertise. O Brasil tem uma extraordinária Polícia Federal, o Brasil tem experiência no combate às drogas, no combate ao tráfico de armas”, afirmou.
Encontro nos EUA
O encontro entre Lula e Trump durou cerca de três horas. Os dois falaram sobre temas diversos, como comércio bilateral, geopolítica e exploração de minerais críticos.
Trump elogiou Lula em suas redes sociais. Segundo o presidente americano, o brasileiro é “muito dinâmico”. Além disso, Trump comentou que não descarta novos encontros com Lula.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa. Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir determinados pontos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses, se necessário”, afirmou Trump.
Fonte: R7