
Na última semana, o ministro dos Transportes, George Santoro, entregou 14 quilômetros da duplicação da BR 290 em Pantano Grande, correspondentes aos lotes 3 e 4, em trechos descontínuos da rodovia, e autorizou o início das obras no trecho entre Arroio dos Ratos e Butiá. A rodovia federal, que passa por obras de duplicação, enfrenta gargalos e atrasos para avançar em outros trechos, que são essenciais para ampliar a segurança viária e para a escoação da produção em um corredor estratégico para o Mercosul.
O tema foi discutido nesta quarta-feira na reunião-almoço Tá Na Mesa da Federasul, no Palácio do Comércio, com a presença do superintendente regional do Dnit RS, Hiratan Pinheiro; Leonardo Betin, presidente da Associação dos Município da Fronteira Oeste (Amfro) e prefeito de Itaqui e Jeferson Pires, presidente do Consórcio do Desenvolvimento do Pampa (Codepampa) e prefeito de Quaraí.
Leonardo Betin tratou das mudanças na BR 290 para Itaqui e outros municípios da região Fronteira Oeste, estratégica ao agronegócio, como na produção de arroz. “Tem alguns gargalos dentro da estrutura, tendo nos trazido inúmeras preocupações, principalmente prejudicando o desenvolvimento regional”, comentou em coletiva de imprensa anterior ao evento. Betin lembrou que a região, assim como outras, passou por enchentes e estiagens, e as condições da rodovia apresentam fragilidades em relação ao déficit de investimento em infraestrutura e os prazos, além da suplementação orçamentária.
“A 290 é uma obra estratégica não só para a Fronteira Oeste, mas para o corredor internacional. Temos vários eixos que ligam o Brasil, Rio Grande também, exportação. De nada adianta nós produzirmos e não termos lugares para escoar, para exportar, para vender, para comercializar”, acrescentou. Manutenção e ausência de recursos no orçamento são os principais desafios.
Jeferson Pires comentou como os atrasos e a lentidão nas obras da rodovia federal impactam a economia do município. Ele pontua que a região da Fronteira Oeste é a “parte pulsante do Mercosul”, com entrada de argentinos e com destaque no maior porto seco da América Latina. No entanto, eventos climáticos têm fragilizado a estrutura das estradas e das pontes. Além disso, a conservação e manutenção das estradas comprometem a passagem e escoamento da produção. “Óbvio que essas coisas impactam muito economicamente, impactam socialmente, porque as pessoas escolhem, muitas vezes, se afastar da região da Fronteira Oeste”, afirmou.
Também na semana passada, na presença do ministro, foi discutida a revisão do projeto de um trecho da rodovia nas proximidades de Porto Alegre, com o objetivo de readequar à cota da enchente. O superintendente regional do Dnit RS, Hiratan Pinheiro, presente na Federasul, comentou que a obra envolve um segmento de cinco quilômetros até a proximidade de Eldorado Sul, onde a estrada ficou embaixo d’água. Com a elevada no segmento, será evitada a falta de acesso na ocasião de uma cheia. “O que aconteceu maior foi o perder o acesso das 290. Ele ressaltou que a obra no local não terá atrasos. “Na verdade a gente vai fazer essa reavaliação necessária para que a gente possa, até o final do ano abrir o edital para contratação de saldo”.
Neste ano, a BR recebeu 60 milhões. Ele aponta a necessidade de suplementação para o andamento dos lotes 3 e 4 e para começar o 2. Para o lote 1, em 2027, será necessário está na Lei Orçamentária Anual com valor adequado. “Não tem como a gente iniciar uma obra com R$ 1 milhão, R$ 2 milhões. Nós estamos falando de R$ 300 a 350 milhões cada lote”.
Fonte: Correio do Povo