
O El Niño previsto para o segundo semestre do ano tem causado apreensão diante da possibilidade de chuvas acima da média no Estado. O fenômeno, que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, foi um dos responsáveis por intensificar as precipitações que resultaram nas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. No entanto, para o chefe da Defesa Civil Estadual, coronel Luciano Boeira, a previsão de um novo El Niño não significa que a tragédia de dois anos atrás vá se repetir.
“Eu vejo alguns institutos não oficiais tentando fazer uma relação com o que aconteceu em 2024. Nós precisamos ter cautela. Existe a possibilidade de termos eventos extremos em um cenário de El Niño? Sim, existe, porque uma das consequências do fenômeno são chuvas acima da média. Mas daí a sugerirmos que vai acontecer o que ocorreu em 2024, precisamos ter cuidado”, afirmou.
Nesta sexta-feira, durante o Seminário Municipalismo em Foco, promovido pela Famurs em Imbé, no Litoral Norte, Boeira recordou que o El Niño não foi o único fator climático que levou ao acúmulo de chuvas no Estado.
“Nós vínhamos de 2023, que já foi um ano com muita chuva. Os reservatórios estavam cheios, o solo, saturado, e, em 2024, houve a coincidência de outros eventos. Tínhamos uma área de alta pressão no centro do país, um bloqueio atmosférico que impedia que as frentes frias avançassem. Com isso, tivemos vários dias consecutivos de chuvas acima da média, o que resultou na situação que enfrentamos”, explicou.
Além disso, o comandante avalia que tanto a Defesa Civil estadual quanto os órgãos municipais estão mais preparados para lidar com eventos extremos. “Investimos em monitoramento, em pessoal, em recursos e em tecnologia para levar melhor informação aos municípios, permitindo que se preparem adequadamente”, disse.
Boeira destacou ainda que, após a enchente de 2024, o órgão estadual passou a exigir que todas as estruturas municipais apresentassem planos de contingência como condição para acesso aos recursos do Fundo Rio Grande.
“Naquele momento, tínhamos cerca de 60 municípios com planos de contingência atualizados junto à Defesa Civil do Estado. Em março deste ano, atingimos um marco: recebemos o último dos 497 planos municipais. Todos já foram analisados por nossa equipe técnica e podem ser considerados de nível moderado a bom”, afirmou.
Aos prefeitos gaúchos, o comandante também apresentou melhorias implementadas pela Defesa Civil, como investimentos em sensores, estações e radares meteorológicos. “Já assinamos contrato para a aquisição de mais três radares, equipamentos com raio de monitoramento de até 400 quilômetros para tempestades severas”, destacou.
Diante desse cenário, Boeira afirma que o Estado está mais preparado para enfrentar futuros eventos climáticos. “Hoje já observamos, a partir de ocorrências menores, que as defesas civis municipais estão muito mais organizadas do que estavam em 2023 e 2024”, concluiu.
Fonte: Renê Almeida / Correio do Povo