O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou aumento de 2,73% em abril, intensificando o observado em março, de 0,52%. Com esse resultado, o índice passa a acumular alta de 2,93% no ano e aumento de 0,61% em 12 meses. Em abril de 2025, o IGP-M havia apresentado alta de 0,24% no mês, acumulando variação de 8,50% em 12 meses. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre).
“Todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz, contribuindo, assim, para o avanço do IGP-M. Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo.
No varejo, os preços ao consumidor ainda refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis, com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%. Por fim, os custos da construção seguem pressionados, principalmente pelo aumento dos materiais, como massa de concreto, tubos e conexões de PVC e blocos de concreto, que vêm sendo reajustados como consequência do repasse dos maiores custos dos insumos.”, afirma Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
Preços ao Produtor
Em abril, a taxa do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) acelerou 3,49%, intensificando a alta em relação a março, quando foi de 0,61%. Analisando os diferentes estágios de processamento, percebe-se que o grupo de Bens Finais passou de 0,80% em março para 0,90% em abril. O índice correspondente a Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, registrou 0,78% em abril, mudando o movimento de março que foi -0,09%. A taxa do grupo Bens Intermediários avançou 2,81% em abril, após registrar 0,32% no mês anterior. O índice de Bens Intermediários (ex) (excluindo o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção) subiu 2,11% em abril, contra alta de 0,32% em março. O estágio das Matérias-Primas Brutas acelerou 5,78% em abril, após subir 0,67% em março.
Preços ao Consumidor
Em abril, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)registrou taxa de 0,94%, superior em relação ao mês anterior, quando registrou alta de 0,30%. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, seis apresentaram avanços em suas taxas de variação: Transportes (0,61% para 2,26%), Educação, Leitura e Recreação (-1,71% para -0,26%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,08% para 0,95%), Alimentação (0,95% para 1,15%), Habitação (0,28% para 0,46%) e Vestuário (0,14% para 0,40%). Em sentido contrário, osgrupos Despesas Diversas (1,30% para 0,55%) e Comunicação (0,14% para -0,02%) registraram recuo em suas taxas de variação.
Custo da Construção (INCC)
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 1,04% em abril, avançando em relação ao mês anterior, quando registrou alta de 0,36%. Analisando os três grupos constituintes do INCC, observam-se movimentos idênticos em suas respectivas taxas de variação na transição de março para abril: a do grupo Materiais e Equipamentos avançou de 0,28% para 1,40%; a do grupo Serviços acelerou de 0,24% para 0,97%; e a do grupo Mão de Obra aumentou de 0,47% para 0,61%.