
Um país com ampla circulação de fake news, e em que as pessoas se dizem satisfeitas com sua vida pessoal, mas duvidam de um futuro melhor. Esse é um dos retratos do Brasil segundo a primeira edição da pesquisa Barometro da Lusofonia, levantamento inédito que ouviu mais de 5 mil pessoas nos oito países que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Lançada no Senado Federal, a iniciativa foi realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), com o apoio de instituições de pesquisas dos países participantes.
De acordo com o Barometro, o brasileiro é o mais satisfeito com sua vida pessoal, mas o menos esperançosnao em relação ao futuro do país entre as populações dos países lusófonos: apresenta a maior média de satisfação com sua vida pessoal (7,9, em escala que vai até a nota 10). Ocupando a segunda posição, Portugal apresenta média de 7,4. Em seguida, vêm Cabo Verde (6,6), Timor-Leste (6,0), Moçambique (5,8), Guiné-Bissau (5,7) e São Tomé e Príncipe (5,6).
Em contrapartida, afetado por crises institucionais e forte polarização política, o Brasil mostra a maior proporção de pessoas a afirmarem que seu país vai “piorar/piorar muito” nos próximos 12 meses (37%), superando nações como Angola, onde 34% dos entrevistados pensam que seu país vai piorar.
Do lado oposto está Timor-Leste, onde 87% afirmam que o país vai “melhorar muito/melhorar”; seguido de Guiné-Bissau (79%), Moçambique (51%), Cabo Verde e São Tomé e Príncipe (ambos com 47%). Portugal destoa das expectativas dos demais países; lá, a maioria acha que o país ficará na mesma no próximo ano (49%), outros 26% são otimistas e 24% são pessimistas em relação ao futuro.
PROBLEMA BRASILEIRO
Saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%) foram os três principais problemas citados pelos entrevistados dos oito países abarcados pela pesquisa. Para os brasileiros, a violência se destaca, ocupando a segunda posição com 40% das respostas. No país, saúde é preocupação de 45%, e a educação é apontada como grande problema por 35%. Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram o ranking de reconhecimento da ocorrência de fake news entre os entrevistados, seguidos de Angola (71%), Moçambique (71%) e Guiné-Bissau (67%).
O Brasil se destaca pela convergência entre alta percepção dessa ocorrência e elevada percepção de gravidade: 77% acreditam que elas causam “muitos problemas”. Em Portugal, embora a circulação seja igualmente elevada, prevalece uma leitura mais moderada: 46% consideram que elas causam “alguns problemas” e apenas 42% atribuem maior gravidade.
Nove em cada dez entrevistados nos países pesquisados (91%) consideram o voto “muito importante” ou “importante”, configurando um amplo consenso que sustenta a legitimidade da democracia como regime político, ainda que passível de críticas quanto ao seu funcionamento e desempenho.