
Pesquisa realizada pela seccional gaúcha da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel no RS), entre 23 de fevereiro e 3 de março, apontou que apenas 40% das empresas do setor operaram com lucro em janeiro, uma queda significativa em relação aos 58% registrados em dezembro. Ao mesmo tempo, 30% dos estabelecimentos tiveram prejuízo, enquanto outros 30% mantiveram estabilidade.
O levantamento também aponta retração no faturamento. Para 69% dos empresários, a receita de janeiro foi menor do que a de dezembro. Apenas 12% registraram crescimento, enquanto 18% relataram estabilidade no período – o 1% restante se refere aos negócios que ainda não existiam no período. “Janeiro trouxe um choque de realidade com a queda da lucratividade no estado. Mas, apesar do recuo do faturamento para a maioria das empresas, o otimismo na retomada das margens permanece vivo”, afirma Leonardo Dorneles, presidente da Abrasel no RS.
Outro indicador que preocupa o setor é o endividamento. De acordo com a pesquisa, 31% dos estabelecimentos possuem pagamentos em atraso. Entre as principais dívidas aparecem impostos federais (84%), impostos estaduais (56%) e empréstimos bancários (33%). A dificuldade em repassar custos também impacta o cenário financeiro do setor da alimentação fora do lar. Nos últimos 12 meses, 35% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar preços, enquanto 58% fizeram ajustes abaixo ou dentro da inflação. Apenas 7% conseguiram repassar valores acima da inflação.
“O foco agora é gestão rigorosa para atravessar esse ciclo apertado e aproveitar as janelas de oportunidades que 2026 oferece. O calendário conta com eventos que serão fundamentais para aquecer o setor e compensar o início do ano”, completa Dorneles.
CENÁRIO GAÚCHO
O levantamento também analisou o desempenho dos bares e restaurantes em Porto Alegre, onde o cenário aparece ainda mais pressionado. Na capital, 43% dos estabelecimentos operaram com prejuízo em janeiro, enquanto 33% registraram lucro e 22% mantiveram estabilidade. Outros 2% dos negócios não existiam no período analisado.
A queda no faturamento também foi percebida pela maioria dos empresários. De acordo com a pesquisa, 75% afirmaram que a receita de janeiro foi menor do que a de dezembro, enquanto 4% registraram crescimento e 19% apontaram estabilidade. Os outros 2% ainda referem-se às empresas que não operavam no período.
O endividamento também segue elevado na capital. Cerca de 38% dos estabelecimentos possuem pagamentos em atraso, sendo as principais dívidas relacionadas a impostos federais (86%), impostos estaduais (59%) e empréstimos bancários (46%). Em relação aos preços, 22% dos bares e restaurantes não conseguiram reajustar valores nos últimos 12 meses. A maioria, 69%, realizou ajustes dentro ou abaixo da inflação, enquanto 9% conseguiram repassar aumentos acima da inflação.