
O Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central inicia na manhã desta terça-feira, 17, uma nova reunião para discutir a composição da taxa Selic e se dará início ao ciclo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa do mercado era de corte da taxa Selic de 0,25 a 0,50 ponto percentual, já que havia sido sinalizado o recuo na última reunião, em janeiro, mas também há analistas que falam na manutenção dos percentual de 15% ao ano em vigor. Com a escalada do preço do petróleo após acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã, parte dos analistas voltou a apostar que não haverá redução da taxa básica, sendo mantida a 15% ao ano.
Na última quinta-feira, 12, o IBGE divulgou a inflação ao consumidor de fevereiro, que apresentou uma aceleração de 0,33% para 0,7% em relação ao mês anterior devido ao impacto das passagens aéreas e do efeito sazonal do aumento das mensalidades escolares – e ainda sem efeito da alta no preço dos combustíveis. O resultado ficou acima da mediana de alta de 0,65% das projeções dos economistas compiladas pela Reuters, sendo a taxa de inflação mais alta desde fevereiro do ano passado. Na base anual, o IPCA apresentou desaceleração de 4,44% para 3,81%, também acima da expectativa de 3,77%.
Já a inflação de serviços – calcanhar de Aquiles do Copom para a desinflação rumo ao centro da meta de 3% ao ano – não veio bem em fevereiro, com uma aceleração acentuada de 5,29% para 5,97% no acumulado em 12 meses devido a itens voláteis. A pequena desaceleração nos serviços subjacentes de 5,57% para 5,52% na mesma base de comparação tem pouco a ser celebrado, com a inflação dos serviços intensivos em trabalho acelerando de 6,7% para 6,75% na base anual, influenciada por um mercado de trabalho com baixa taxa de desemprego e massa salarial próximo ao recorde histórico.
PROJEÇÕES
Com o IPCA de fevereiro acima do esperado e alta no preço dos combustíveis, o Boletim Focus de segunda-feira, 16, deve trazer alta da projeção do IPCA para o fim de 2026, além de capturar as projeções para o movimento de quarta-feira na Selic e para o encerramento de 2026. O monitoramento relevante ficará com a expectativa para a inflação de 2027, na qual é observada pelo Copom para decidir a taxa básica de juros. Há semanas, a projeção para o IPCA de 2027 fica em 3,8%.
Além do Focus, outro indicador relevante que deve balizar a decisão de juros no Brasil é o IBC-Br, também nesta segunda. O índice de atividade econômica do Banco Central de janeiro oferecerá a leitura da autoridade monetária sobre a atividade no início do ano e confirmará — ou não — os dados do período apresentados pelo IBGE. A produção industrial, as vendas no varejo e o volume de serviços de janeiro aceleraram em relação ao último mês de 2025. Todos eles surpreenderam positivamente o mercado e vieram acima das projeções do mercado, embora o próprio Copom tenha alertado, na ata de sua última reunião, que resultado de indicadores de atividade poderia vir acima ou abaixo do esperado diante de um ciclo econômico de desaceleração nos segmentos sensíveis ao crédito e de dinamismo nos setores ligados à renda.
Quanto à decisão do Copom, qualquer caminho tem fundamento. Um corte de 50 pontos-base — majoritário nas apostas do mercado antes da eclosão do conflito — deixou de fazer sentido. O discurso de cautela e serenidade adotado pelo Copom abre espaço para um corte menor ou até para a manutenção da Selic em 15% ao ano. Uma redução de 25 pontos-base seria um início adequado para o ciclo de flexibilização, tanto mais porque a taxa já se encontra em patamar altamente restritivo. Caso haja corte, a tendência é que o ciclo avance de forma gradual, no mesmo ritmo, nas reuniões seguintes.
A manutenção, por sua vez, também encontra justificativa na mudança do cenário externo, sem sinalizar novas altas para a reunião seguinte. Trata-se de um desfecho menos provável, mas que não pode ser descartado.
No Federal Reserve, a maior preocupação dos dirigentes é com a inflação. Mesmo com o mercado de trabalho dando sinais de acomodação — após leve deterioração no segundo semestre do ano passado — e com a atividade econômica em desaceleração, a inflação segue como prioridade. Antes do conflito, ela já estava quase um ponto percentual acima do centro da meta. Com a disparada do petróleo, as atenções redobram.
ENTENDA A SELIC
A taxa básica de juros é uma forma de piso para os demais juros cobrados no mercado. Ela serve como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, perto da meta estabelecida pelo governo. Isso acontece porque os juros mais altos encarecem o crédito, reduzem a disposição para consumir e estimulam alternativas de investimento.
Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Já quando os juros básicos são reduzidos, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo.
A Selic é usada nos empréstimos entre bancos e nas aplicações que as instituições financeiras fazem em títulos públicos federais. É a taxa Selic que os bancos pagam para pegar dinheiro no mercado e repassá-lo em empréstimos ou financiamentos. Por esse motivo, os juros que os bancos cobram dos consumidores são sempre superiores à Selic.
(*) Com R7 e Investing.com
