
A entidade expressou preocupação com a possibilidade de aprovação da redução da jornada dos trabalhadores, cujas discussões têm avançado no Congresso em Brasília. De acordo com o assessor de relações governamentais do Sindilojas PoA, Victor Pires, a medida pode levar a um aumento de 10 a 11% na folha de pagamento das empresas.
“Uma grande empresa multinacional pode absorver esse tipo de aumento na sua margem de lucro. Mas estamos condenando o pequeno e do médio empresário, pois boa parte vai na folha de pagamento, que já é muito elevada. No final das contas isso vai acabar se revertendo contra o próprio trabalhador”, avaliou.
Pires teme um “circulo vicioso” com o final da escala 6×1 e a redução na jornada de trabalho, o que, segundo ele, pode ter como consequências aumento de preços e desemprego. O dirigente teme que um número elevado de empresas possam, inclusive, fechar as portas se não conseguirem absorver novos custos.
Ainda segundo o Sindilojas PoA, o momento em que ocorrem as discussões sobre o tema é inoportuno. Victor Pires alerta que, em ano eleitoral, muitos legisladores podem utilizar a questão para se autopromover. Segundo ele, a entidade também está trabalhando para sensibilizar deputados e senadores para que o debate seja feito de forma técnica e não política.
“É muito importante que todo esse debate seja aprofundado para que todos esses cenários possam ser desenhados”, disse.
O Sindilojas Porto Alegre, em conjunto com outras cinco entidades representativas do comércio e dos serviços da Capital, divulgou manifesto contrário às propostas de Emenda à Constituição (PECs) que preveem o fim da escala 6×1. O documento também foi encaminhado aos deputados federais e senadores. As entidades alertaram para os impactos econômicos e sociais da medida, que pode comprometer a sustentabilidade das empresas, reduzir postos formais de trabalho e pressionar preços, comprometendo a capacidade financeira da população.
Entidades patronais do setor de serviços e do varejo entregaram, na última sexta-feira, ao ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, uma nota técnica com preocupações quanto ao fim da escala 6×1 e às novas normas de segurança e saúde no ambiente de trabalho, a Norma Reguladora-1, que estabelece diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos, com foco nos fatores psicossociais.
Liderada pela deputada Erika Hilton, a proposta do fim da jornada 6×1 é defendida pelo presidente Lula e é um dos trunfos do governo para a campanha de reeleição. Levantamento feito pelo instituto Nexus mostra que quase dois terços da população brasileira aprovam a redução da jornada e que, no Sudeste, onde estão os maiores colégios eleitorais do País, o apoio é ainda maior.
Fonte: Rádio Guaíba