
O receio de aumento nos combustíveis e possíveis restrições no fornecimento de diesel já se reflete nos preços em Porto Alegre. Em diferentes regiões de Capital era possível encontrar, na manhã de quarta-feira, o litro do combustível variando de R$ 6,39 a R$ 8,10, enquanto postos registraram movimento de consumidores preocupados com novos reajustes. Em meio à recente alta, a gasolina comum ainda era encontrada em valores abaixo dos R$ 6,00.
Em um posto localizado na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, na zona Norte, a gasolina era encontrada por R$ 5,96, enquanto o diesel era vendido a R$ 6,39. A poucos quilômetros dali, na avenida Sertório, os valores já eram mais altos: R$ 6,56 para a gasolina e R$ 6,99 para o diesel.
Na avenida Farrapos, um estabelecimento que ainda na terça-feira vendia diesel a R$ 6,29 registrou um aumento de R$ 0,70 passou a comercializar o combustível a R$ 6,99 na manhã de quarta. No local, a gasolina estava em R$ 6,39.
A diferença de preços se acentua em outras regiões da cidade. Na avenida Carlos Barbosa, no bairro Medianeira, o diesel foi encontrado a R$ 7,69. Já no bairro Nonoai, na zona Sul, o valor chegou a R$ 8,10 em pagamentos no cartão. No mesmo posto, a gasolina era a mais barata entre os estabelecimentos visitados, a R$ 5,93.
Funcionários de alguns postos relataram, informalmente, preocupação com a disponibilidade de diesel nos próximos dias. Segundo eles, a dificuldade em conseguir o combustível junto às distribuidoras tem pressionado os preços e reduzido as margens de lucro dos revendedores.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Rio Grande do Sul (Sulpetro), João Carlos Dal’Aqua, o mercado enfrenta um momento de restrição no fornecimento, mas ainda não há cenário de falta de combustíveis aos consumidores. “As distribuidoras estão argumentando uma questão de restrição de fornecimento. Obviamente, elas estão dando preferência aos postos conveniados, contratados por ela, e estão certamente também organizando seus estoques, porque deve vir alguma movimentação de preços. Então, infelizmente, o mercado está com restrição, está estressado, mas a gente não enxerga como desabastecimento generalizado”, afirmou.
Segundo ele, o aumento da procura também contribui para a pressão sobre o mercado. “Houve um aumento de demanda muito forte nesse período, se fala em mais de 30%. Ninguém vai entregar produto fora da normalidade em um momento de tanta incerteza”, disse.
Dal’Aqua reforçou que, neste momento, é preciso aguardar. “Precisamos aguardar este período para ver as movimentações e ver o que a Petrobras vai fazer. Se ela vai oferecer mais produtos, a que custo. Mas isso a gente só vai saber na sequência”, completou.
O cenário ocorre em meio às tensões no mercado internacional de petróleo, que vêm pressionando o preço do diesel e gerando preocupação entre setores da economia, especialmente transporte e agronegócio.
A Petrobras informou que irá leiloar 20 milhões de litros de diesel com entrega a partir de 16 de março em Canoas, medida que atende a pedidos de transportadores e revendedores e busca ampliar a oferta do combustível no mercado.
Fonte: Correio do Povo