
Os desdobramentos da Guerra no Oriente Médio, que estão prestes a completar duas semanas, têm gerado preocupação e cautela de representantes de setores do agronegócio durante a realização da Expodireto 2026, em Não-Me-Toque. Isso deve-se porque há elementos que podem agravar ainda mais a situação do setor gaúcho.
Um exemplo foi a falta de diesel, que tornou-se pública no último sábado, sendo relacionada ao conflito bélico. O combustível é essencial para o maquinário, especialmente neste momento de colheita do arroz. A ausência do diesel tem feito com que produtores interrompam as operações.
Sobre o tópico, o presidente da Fiergs e também do Simers (que representa o setor de maquinário agrícola), Cláudio Bier, os desdobramentos são incertos.
“Vivemos uma tempestade perfeita. Nosso setor não está atravessando uma boa fase”, ressalta, ao colocar essa situação em perspectiva do cenário que o setor atravessa, em relação do endividamento e dos impactos da situação climática adversa.
O presidente da Cotrijal (Cooperativa Agropecuária e Industrial), com sede em Não-Me-Toque/RS, Nei Manica, reconhece que o assunto está presente na feira porque a guerra reflete nos movimentos econômicos. “Então, a cadeia produtiva é impactada com a guerra, com falta de combustíveis e aumento de preços. Isso encarece ainda mais os custos de produção. Nós esperamos e acreditamos que isso seja um movimento passageiro. Porque se for duradouro, em um momento que estamos iniciando uma safra, é de extrema preocupação”, enfatizou ele.
Além do diesel, o custo do petróleo gera preocupação. O combustível registrou alta nos primeiros dias do conflito e, desde então, tem tido comportamento oscilante. Outro item que tem sido atingido é a ureia, que é um fertilizante usado em lavouras de milho. Região onde ocorre a guerra é responsável por grande parte da oferta do insumo.
O economista da Farsul, Antonio da Luz, destaca que a elevação de preços gera efeitos imediamentos. Citou o início da invasão da Rússia à Ucrânica, quando os valores de combustíveis e fertilizantes também subiram. “Isso me preocupa muito. Essas altas rápidas e duradouras. Porque exige que as pessoas tomem decisões que elas podem se arrepender quando a situação refluir”, ponderou. “Temos que acompanhar. A guerra tende a gerar essas questões (impactos) no petróleo e no câmbio. Essas oscilações e alta volatilidade”, complementou.
Tanto Bier quanto Manica são otimistas com o fim rápido do conflito. E que, após esse período, a situação do abastecimento de diesel seja normalizada, assim como demais negociações.
Fonte: Mauren Xavier/Correio do Povo