
Brasil e Estados Unidos voltam ao centro da agenda econômica nesta semana. As atenções locais estarão voltadas para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no quarto trimestre de 2025 e no consolidado do ano, além de dados do mercado de trabalho de janeiro, que serão divulgados na terça-feira, 3. Nos EUA, uma bateria de indicadores deve oferecer um diagnóstico mais atualizado do mercado de trabalho, que tem apresentado sinais contraditórios, embora membros do Federal Reserve (Fed) indiquem estabilização e melhora nos últimos meses.
A semana começou no domingo. Opep anunciou aumento de produção para abril no encontro de oito países que compõem o grupo Opep+ decidiram retomar a reversão gradual dos cortes voluntários de produção, estabelecendo um ajuste de 206 mil barris por dia (BPD) a ser implementado em abril de 2026. A decisão foi tomada durante reunião virtual entre representantes da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã, que revisaram as condições do mercado global e o cenário de baixos estoques de petróleo. Segundo comunicado oficial do grupo, a medida marca o reinício da devolução dos 1,65 milhão de BPD em ajustes voluntários anunciados originalmente em abril de 2023. Perto de 150 navios estão ancorados no Golfo Pérsico após os ataques ao Irã.
“Com o preço do barril do petróleo Brent acima de US$ 70, a expectativa é de anúncio de retomada da elevação da oferta em abril, com acréscimo de 137 mil barris diários. Em função do conflito entre EUA/Irã, cerca de 150 navios estão ancorados no Golfo Pérsico após os ataques iranianos”, comenta Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
A semana começa com o tradicional Boletim Focus, com os investidores monitorando se haverá interrupção na queda da projeção do IPCA para 2026 após a prévia da inflação ao consumidor (IPCA-15) de fevereiro ter apresentado uma aceleração inesperada, com continuidade da pressão dos núcleos e da inflação de serviços. Além disso, a última edição do boletim indicou queda na projeção da taxa Selic para o fim deste ano, de 12,25% para 12,13%. Há possibilidade de novo recuo, para 12%, em linha com economistas que projetam a taxa Selic caindo de 15% para 12% ao longo de 2026.
EMPREGO E DESEMPREGO
Na terça-feira, 3, será divulgada a prévia da inflação ao consumidor de fevereiro da zona do euro. O principal dado do dia, no entanto, será publicado às 9h pelo IBGE: o PIB do Brasil de 2025. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB divulgada pelo Banco Central, indicou alta de 2,5% da economia brasileira no ano passado ante 2024, enquanto o Monitor do PIB da FGV apontou crescimento de 2,2%.
No mesmo dia, o Ministério do Trabalho divulga o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de janeiro. Conforme apontado na semana passada, janeiro costuma registrar recuperação das vagas formais de emprego após o tombo recorrente de dezembro. Além disso, os dados do Caged dos últimos meses mostraram desaceleração em relação ao mesmo período do ano anterior, e os economistas vão avaliar se a tendência de arrefecimento da geração de vagas se manteve no primeiro mês deste ano.
Na quarta-feira, 4, começa a bateria de indicadores do mercado de trabalho dos EUA referentes a fevereiro. A primeira divulgação será a criação de empregos no setor privado pelo processador de pagamentos ADP. No mesmo dia, o Fed divulga o Livro Bege, documento que apresenta o panorama econômico dos EUA a partir de informações coletadas pelos escritórios regionais do banco central. “Em um contexto de tarifas comerciais impostas por Donald Trump, o relatório tornou-se um importante termômetro para avaliar a percepção do empresariado americano sobre inflação, emprego e atividade econômica”, diz Leandro Manzoni, analista da plataforma Investing.com.
Na quinta-feira, 5, a consultoria Challenger divulga o número de demissões anunciadas em fevereiro. Os levantamentos recentes apontam aumento das demissões que, se confirmado, pode elevar a aversão ao risco nos mercados no dia, até a divulgação do payroll na sexta. No Brasil, serão divulgadas a balança comercial de fevereiro e a taxa de desemprego do trimestre encerrado em janeiro. O maior poder de precificação tende a vir dos dados do mercado de trabalho, com investidores atentos à manutenção da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, com recorde da massa salarial e do número de trabalhadores com carteira assinada.
O principal dado da semana será o Relatório de Emprego Não Agrícola (payroll) dos EUA, na sexta-feira, 6. Em janeiro, o indicador surpreendeu com a criação de 130 mil vagas, mas a expectativa para fevereiro é de geração de 60 mil empregos. Já a taxa de desemprego deve permanecer em 4,3%, abaixo do pico de 4,5% registrado em novembro do ano passado, período em que o Fed reduziu a taxa de juros em 25 pontos-base por três reuniões consecutivas no quarto trimestre.
No mesmo dia, será divulgado o PIB da zona do euro do quarto trimestre, além da produção industrial de janeiro no Brasil. Também vale monitorar, no início da semana, os Índices de Gerentes de Compras (PMIs, na sigla em inglês) de fevereiro de vários países, inclusive do Brasil. Estão previstos, ainda, discursos de dirigentes do Fed, do Banco Central Europeu e do Banco do Japão.