
Em janeiro, o saldo do crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$20,8 trilhões (162,6% do PIB), com ligeira queda no mês, -0,3%, devido principalmente à redução dos saldos dos empréstimos externos, -3,4%, impactados pela apreciação cambial de 4,95%. Na comparação interanual, o crédito ampliado cresceu 12,6%, prevalecendo as elevações da carteira de empréstimos do SFN, 9,9%, e dos títulos públicos de dívida, 19,1%.
O crédito ampliado a empresas atingiu R$7,0 trilhões (54,7% do PIB), diminuição de 1,2% no mês, com redução nos empréstimos do SFN (2,0%, de caráter sazonal) e nos empréstimos externos (3,4%). Em relação a janeiro de 2025, a expansão de 7,0% do crédito ampliado a empresas refletiu principalmente os aumentos de 16,5% em títulos de dívida. O crédito ampliado às famílias alcançou R$4,8 trilhões (37,7% do PIB) em janeiro, com variações positivas de 0,8% no mês e de 11,7% em doze meses, em função do incremento nos empréstimos do SFN.
O saldo das operações de crédito do SFN totalizou R$7,1 trilhões em janeiro, com diminuição de 0,2% no mês. Esse resultado decorreu da redução de 1,7% no saldo da carteira de crédito às pessoas jurídicas, em contraposição ao incremento de 0,7% no de pessoas físicas, com esses estoques alcançando, respectivamente, R$2,7 trilhões e R$4,5 trilhões. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o saldo do crédito do SFN em janeiro desacelerou, com avanço de 10,1% ante 10,3% observado em dezembro de 2025. Na mesma base de comparação, os saldos do crédito às empresas apresentaram ritmo de crescimento similar ao anterior, com incremento de 8,3% ante 8,2%. Já o crédito às famílias desacelerou de 11,7% para 11,1%.
O saldo das operações de crédito com recursos livres atingiu R$4,1 trilhões em janeiro, redução de 0,9% no mês e incremento de 8,3% em doze meses. No crédito livre às empresas, o saldo totalizou R$1,6 trilhão, com redução de 3,2% no mês e alta de 2,4% em doze meses. Neste contexto, destacam-se a queda sazonal na carteira de desconto de duplicatas e outros recebíveis (-16,7%) bem como a diminuição no saldo do capital de giro total (-1,1%). Em sentido oposto, o crédito livre às famílias avançou 0,5% no mês e 12,4% em doze meses, motivado, principalmente, pelos incrementos das carteiras de crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (8,6%) e financiamento para aquisição de veículos (1,6%).
CRÉDITO DIRECIONADO
O saldo do crédito direcionado alcançou R$3,1 trilhões em janeiro, com expansão de 0,8% no mês e de 12,6% comparativamente ao mesmo período do ano anterior. O crédito direcionado às pessoas jurídicas somou R$1,1 trilhões, com altas de 0,5% no mês e de 18,5% em dozes meses. Na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias cresceu 0,9% e 9,6% ao totalizar R$2,0 trilhões.
As concessões nominais de crédito alcançaram R$651,5 bilhões em janeiro. Após ajuste sazonal, as concessões totais expandiram 1,5% no mês, com elevações de 2,2% nas operações com pessoas jurídica e 1,6% nas operações pactuadas com pessoas físicas. No acumulado em doze meses até janeiro de 2026, as concessões nominais variaram 9,4%, sendo 9,7% nas operações com empresas e 9,1% nas com famílias. As concessões médias diárias em janeiro diminuíram 15,0% no mês.
A taxa média de juros das novas contratações subiu 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em doze meses, alcançando 32,8% a.a. O spread bancário das novas contratações atingiu 21,9 p.p., com elevação de 0,8 p.p. no mês e de 3,5 p.p. comparativamente a janeiro de 2024.
No crédito com recursos livres, a taxa média de juros atingiu 47,8% a.a. em janeiro, com elevações de 1,2 p.p. no mês e de 5,3 p.p. em doze meses. Nas operações com as pessoas jurídicas, a taxa média situou-se em 25,2% a.a., com incremento de 1,6 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses. Esse desempenho foi influenciado, basicamente, pelo aumento sazonal das taxas médias de desconto de duplicatas e outros recebíveis e pelo incremento de outras modalidades, como capital de giro com prazo superior a 365 dias, cheque especial e cartão rotativo.
No crédito livre às pessoas físicas, a taxa média de juros alcançou 61,0% a.a., com acréscimos de 0,9 p.p. no mês e de 6,7 p.p. em doze meses. Destacaram-se elevações das taxas das operações de cartão de crédito parcelado (+6,8 p.p.), crédito pessoal não consignado (+1,5 p.p.), financiamento para aquisição de veículos (+1,3 p.p.) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (+1,2 p.p.).

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, atingiu 23,6% a.a., elevando-se 0,3 p.p. no mês e subindo 1,6 p.p. em 12 meses. A inadimplência da carteira de crédito total do SFN aumentou 0,2 p.p. no mês, alcançando 4,2%. A inadimplência do crédito às empresas aumentou 0,2 p.p., assim como no crédito às famílias (+0,2 p.p.), situando-se respectivamente em 2,6% e 5,2%.
No crédito com recursos livres, a inadimplência aumentou 0,1 p.p no mês ao atingir 5,5%. Por segmento, a inadimplência da carteira de crédito livre às pessoas jurídicas cresceu 0,2 p.p., enquanto a de pessoas físicas permaneceu estável, situando-se em 3,3% e 6,9%, respectivamente. O endividamento das famílias atingiu 49,7% ao final de 2025, após aumento de 1,3 p.p. em doze meses. O comprometimento de renda atingiu 29,2% em 2025, com variação positiva de 1,7 p.p. em 12 meses.
A base monetária somou R$450,4 bilhões em janeiro, crescimento de 0,7% no mês e de 2,4% em doze meses. No mês, o volume de papel-moeda em circulação recuou 1% e as reservas bancárias se elevaram em 8,9%. Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da base monetária, apresentaram impacto expansionista as operações do Tesouro Nacional (R$4,2 bilhões), as do setor externo (R$4,2 bilhões) e os depósitos de instituições financeiras (R$12,9 bilhões, determinados principalmente por liberações de recolhimentos de recursos de caderneta de poupança, +R$1,8 bilhão, de depósitos a prazo em espécie, +R$5,8 bilhões e de depósitos voluntários a prazo, +R$4,3 bilhões).
De maneira contracionista, atuaram as operações com derivativos (R$42,5 bilhões) e as com títulos públicos federais (R$12 bilhões, resultado de resgates líquidos de R$90,6 bilhões no mercado primário e vendas líquidas de R$102,6 bilhões no mercado secundário).