
A Polícia Civil trata uma suposta detecção do sinal telefônico de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, na rede de internet do ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, como indício da teórica participação dele no sumiço da mulher e dos pais dela, Isail e Dalmira de Aguiar, respectivamente 69 e 70 anos, em Cachoeirinha. De acordo com a investigação, o aparelho celular da vítima teria surgido no Wi-fi do suspeito uma semana após o desaparecimento, em janeiro. Ele nega qualquer envolvimento nos fatos.
Silvana desapareceu em 24 de janeiro. No dia 31 daquele mês, uma conta online, vinculada ao Google, que seria dela, teria aparecido na rede da casa onde mora o PM, no bairro Vila Anair. Na residência, o Wi-fi está no nome da atual esposa do suspeito, com quem ele é casado desde 2022. Ela não é investigada, sendo tratada como testemunha.
O celular de Silvana foi encontrado sob uma pedra, na rua Palmeira das Missões, próximo ao numeral 413, em 7 de fevereiro. Uma denúncia anônima teria indicado onde estava o dispositivo, conforme a 2ª DP de Cachoeirinha, que utilizou tal alegação de sinal telefônico como base do pedido de prisão temporária do suspeito, que segue recolhido no Batalhão de Operações Especiais (Boe) da Brigada Militar, em Porto Alegre, desde o dia 10 de fevereiro.
Profissionais da área de tecnologia evitam opinar sobre a validade de tal evidência. Isso porque, na visão deles, o nome de Silvana poderia estar vinculado a outro equipamento, como celular, televisão ou videogame de seu filho de 9 anos, fruto do antigo relacionamento com o PM. A dupla se divorciou pouco após o nascimento da criança. Depois do sumiço da mãe, o menino chegou a ficar aos cuidados do pai, tendo sua guarda transferida provisoriamente para a avó materna após o homem ter sido detido.
A reportagem contatou o advogado Jeverson Barcellos, à frente da defesa do PM, mas ele não quis comentar a investigação policial. O profissional afirmou, entretanto, que permanece sem ter acesso aos autos do processo, reforçando que não se manifestará antes de ler o inquérito. Este também teria sido o motivo do silêncio de seu cliente durante o depoimento.
Fonte: Marcel Horowitz / Correio do Povo