
A morte de Tereza de Jesus Trindade da Silva é investigada como mais um caso de feminicídio registrado no Rio Grande do Sul neste início de 2026. A vítima morreu nesta semana, após dias internada, em Roque Gonzales, no Noroeste do Estado.
Tereza, de 49 anos, não resistiu aos ferimentos causados por tiros que a atingiram no rosto e no braço. O principal suspeito é o companheiro da vítima, que nega a autoria, mas está preso pelo crime. Além dele, outro homem, ainda não identificado pela Polícia Civil, também é investigado.
O crime ocorreu em uma área no final do perímetro urbano da cidade, que tem cerca de 6,5 mil habitantes, já próximo à zona rural. O filho da vítima, que mora em uma casa ao lado do local em que ela residia, é considerado uma das principais testemunhas.
Conforme o delegado Afonso Stangherlin, o filho relatou que estava dentro de casa quando teria ouvido uma discussão do casal. Em determinado momento, o padrasto teria gritado para que a mulher largasse a faca, antes de ouvir pelo menos três tiros. Ao sair para a rua, o homem percebeu que a mãe estava caída no chão, baleada, com o corpo sobre a faca.
A mulher chegou a ser socorrida e encaminhada para atendimento médico. Ela ficou internada do dia 4 de fevereiro — data do crime — até o dia 11, quando faleceu. O companheiro fugiu do local após o ocorrido, mas foi preso em flagrante pela Brigada Militar (BM) ao procurar pela vítima no hospital.
Em depoimento, o homem negou a autoria. “Ele alegou que ela estava discutindo com uma vizinha e diz que um homem teria chegado ao local em um carro, observado a cena e depois efetuado os disparos. Ele confirma que pediu para ela largar a faca, mas afirma que era por conta da discussão com a vizinha”, explica o delegado.
Stangherlin ressalta que imagens obtidas pela polícia mostram uma terceira pessoa no local, entrando em um carro com as características apontadas pelo homem, mas ainda sem identificação.
Com apoio da BM, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sexta-feira na casa de vizinhos que, supostamente, teriam discutido com a mulher. Na ação, foram apreendidas armas, munições, celulares e rádios comunicadores. O proprietário do imóvel teria registro das armas localizadas, mas a apreensão busca identificar se alguma delas é a mesma utilizada para matar Tereza.
Mulher já havia registrado ocorrência contra o homem
Apesar da busca pelo terceiro envolvido, a hipótese de feminicídio segue como a principal linha de investigação da Polícia Civil. “Não temos elementos robustos que indiquem outra possibilidade que não a de feminicídio. Embora seja possível, existem elementos que a descaracterizam”, diz Stangherlin.
A atitude do companheiro de fugir do local após o crime é um dos fatores que reforçam a suspeita. “Ele alega que correu para dentro de casa, fugiu para a lavoura e depois foi ao hospital em busca de informações. Confirma que fugiu, não por ser autor, mas por medo de ser baleado também”, relata o delegado.
Ainda assim, a investigação aponta que há fortes indícios de envolvimento de uma terceira pessoa, mas que o companheiro segue como principal suspeito.
O casal estava junto há mais de uma década, mas teria se separado no final de 2024, quando o homem teria desferido agressões e ameaças contra Tereza. Na ocasião, conforme Stangherlin, ela registrou boletim de ocorrência e pediu medida protetiva.
Cerca de um ano depois da separação, em novembro do ano passado, após o término da vigência da medida, os dois teriam retomado a relação e estavam juntos desde então. Não havia outros registros recentes confirmados de violência doméstica.
Fonte: Guilherme Sperafico / Correio do Povo