
O prefeito Sebastião Melo deverá anunciar, até o final desta semana, o novo valor da passagem de ônibus em Porto Alegre. A informação, que já havia sido confirmada por ele à imprensa quando de sua visita às obras de proteção contra cheias na zona Norte, na última sexta-feira, foi corroborada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) agora.
De acordo com a secretaria, o reajuste está decidido e “vai ser necessário”. Faltam definições sobre percentual e data. A SMMU está finalizando os cálculos, e deverá considerar, por exemplo, a negociação do dissídio dos rodoviários, que, como já se sabe, será pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado dos últimos 12 meses, de 1º de fevereiro de 2025 a 31 de janeiro de 2026.
Este resultado deverá sair nos próximos dias. No ano passado, Melo e o titular da SMMU, Adão de Castro Júnior, anunciaram o novo valor, atualmente em R$ 5, no final de março, com validade a partir do dia 31 daquele mês, um aumento de R$ 0,20 em relação à tarifa praticada até então. Antes de 2025, um reajuste nas tarifas do transporte coletivo em Porto Alegre não era aplicado havia quatro anos, desde 2021, e o prefeito justificou o aumento, na época, afirmando que o governo federal não havia aportado valores para o transporte público nos anos de 2023 e 2024.
Somente no ano das enchentes, em 2024, os subsídios da Prefeitura para o transporte coletivo custaram R$ 135 milhões, enquanto em 2025, mesmo com o reajuste, foram de R$ 218 milhões. É sabido, portanto, que o valor final da passagem dependerá do quanto a Administração possui em caixa para subsidiar as empresas. Outros fatores também são considerados neste cálculo.
No ano passado, os chamados custos variáveis, como o combustível, pneus e peças, representavam 36% da tarifa técnica de R$ 6,65, ou seja, o custo real por passageiro, enquanto os custos com pessoal, contabilizando a desoneração da folha, de R$ 14 milhões, outros 34%. Caso não houvesse medidas para conter o aumento em anos anteriores, como a saída de cobradores e modificações nas isenções, ela saltaria para R$ 9, e os subsídios seriam de R$ 435 milhões.
Procurada, a Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP POA) afirmou que não se manifestará a respeito do novo reajuste, assim como o Sindicato das Empresas de Ônibus (Seopa) também não tem manifestação definida. Já o Sindicato dos Rodoviários (Stetpoa), por meio de seu 2º vice-presidente, Márcio Vinícius Silveira Campos, disse que provavelmente isto já ocorreria, porque, segundo ele, “se não, a Administração terá de subsidiar um grande valor”.
“Na verdade, a licitação de 2014 garantiu muitos benefícios às empresas, e se não chegar o valor do IPK (Índice de Passageiros por Quilômetro) médio, a Prefeitura paga a diferença”. Não há informações sobre se este aumento gerará também reajuste nas bandeiradas dos táxis, como ocorreu em 2025, em que o novo valor da bandeirada passou a R$ 6,95, com o quilômetro em bandeira 1 indo a R$ 3,47, enquanto o da bandeira 2, a R$ 4,51.
Fonte: Felipe Faleiro / Correio do Povo