A inadimplência de aluguel no Rio Grande do Sul fechou 2025 em alta, saindo de 3,28%, em 2024, para 3,65%, com variação de 0,37 ponto percentual. O índice no estado também ficou acima da média nacional, que foi de 3,50% no período, mas abaixo da regional, de 2,89%. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para os mercados condominial e imobiliário no país.
Segundo Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, “o aumento na inadimplência do Rio Grande do Sul na comparação entre 2024 e 2025 é expressiva, mas próxima à média nacional. Em 2026, será muito importante se manter atento a variáveis como inflação e juros, que continuam pressionando os gastos fixos, e qualquer mudança nesses indicadores pode impactar a capacidade de pagamento dos locatários nos próximos meses.”
“Outros fatores externos também podem impactar o orçamento das famílias – entre eles, as bets, que provocaram perdas econômicas de R$ 38,8 mi no último ano segundo o Banco Central – e devem ser considerados para manter as contas no azul”, complementa.
Na região Sul, os imóveis comerciais lideram a inadimplência de aluguel, com 3,80%, aumento de 0,25 ponto percentual, em 2025, ante os 3,55% de 2024. Em seguida, aparecem as casas, com 3,58% – diminuição de 0,09 ponto percentual frente aos 3,67% do ano anterior – e apartamentos, que chegaram a 2,11% de inadimplência e a um crescimento de 0,20 ponto percentual em relação a 2024.
No primeiro semestre, as regiões Norte e Nordeste alternaram entre as maiores taxas do ano – com o Norte liberando em janeiro, fevereiro, março e maio. Já no segundo semestre, o Nordeste registrou, em todos os meses, as maiores taxas do Brasil, com pico em outubro (6,84%). Na comparação anual, a região Nordeste manteve o índice mais alto do país, com 5,15%, mas com uma queda de 0,68 ponto percentual em relação a 2024 (5,83%). O Norte fechou o ano com inadimplência de 4,88%, recuo de 0,70 ponto percentual também em comparação com o ano anterior.
O Centro-Oeste teve o terceiro posto do pódio de 2025, com 3,59% (aumento de 0,42 ponto percentual ante 2024), com Sudeste (3,24% ante 3,12%) e Sul (2,89% ante 2,75%) na conclusão do ranking. “As taxas dessas regiões são mais baixas em relação ao Norte e Nordeste, mas tiveram aumento em relação ao ano anterior, o que acende um alerta para essas regiões também”, pondera Gonçalves.
No âmbito nacional, o levantamento mostra ainda que os imóveis comerciais registraram taxas de inadimplência mais altas do que os residenciais (apartamentos e casas). Apartamentos, casas e prédios comerciais registraram médias de 2,36%, 3,79% e 4,84% em 2025, respectivamente. Enquanto casas e comércios tiveram crescimentos respectivos de 0,01 e 0,40 pontos percentuais, os apartamentos tiveram queda de 0,08 ponto percentual.
Além de registrar o maior aumento ano contra ano, os imóveis comerciais lideraram a inadimplência durante 2025, com taxas entre 4,12% e 5,55% – pico marcado em setembro. “Esse tipo de imóvel pode ser mais afetado considerando a instabilidade econômica e os desafios enfrentados por empresas, refletindo muitas vezes as dificuldades financeiras de empreendedores brasileiros”, analisa o especialista.
Gonçalves destaca ainda que o ano ficou marcado pela maior taxa de juros em quase duas décadas (15% da Selic) e a perda da força da atividade econômica no Brasil após três anos consecutivos de crescimento – a expectativa de aumento é de 2,6% para 2025 contra 3,4% em 2024. “São fatores que impactam diretamente no poder de compra das famílias brasileiras e no pagamento das despesas. É preciso começar o ano com cuidado e atenção para manter as contas em dia e evitar problemas no futuro”, alerta.