
O novo presidente da Assembleia Legislativa veio do interior de Santo Antônio da Patrulha, região que hoje fica o município de Caraá. Sergio Peres, do Republicanos, é um pastor evangélico ligado à Igreja Universal. Ele se candidatou pela primeira vez em 2002, sendo assim um dos pioneiros dentre os pastores que ingressaram na política e que hoje representam uma das maiores forças eleitorais do país. Filho de agricultores, aos 19 anos rumou à Região Metropolitana de Porto Alegre em busca de alçar voos maiores. Após atuar por quatro anos como deputado estadual entre 2003 e 2006, se dedicou às atividades pastorais para retornar à Assembleia Legislativa apenas em 2014. Desde então, se reelege e, por acordo dos maiores partidos da Casa, conduzirá o Parlamento gaúcho no último ano da atual legislatura.
- Quais serão as prioridades da gestão? Já definiu um tema para a presidência?
Eu vou ser municipalista. O deputado (Vilmar) Zanchin (MDB) foi presidente da educação. O deputado (Adolfo) Brito (PP) defendeu a irrigação. O Pepe (Vargas, PT) fez o foro do desenvolvimento sustentável. Quero defender o municipalismo porque acredito que é no município que tudo acontece, que tudo começa. Onde as pessoas trabalham, geram a renda, impostos. E, hoje, esse pacto negativo está muito desigual. O governo cria planos, mas, às vezes, não manda o recurso para que o prefeito possa executar. Temos que lutar para que fique mais recurso, porque o povo contribui para o município.
- Vai conduzir a Assembleia em um ano eleitoral. O ritmo dos trabalhos pode ser mais lento, ou acredito em um acirramento nas discussões no plenário?
Tchê, aqui nos gaúchos tem que ter peleia, igual Gre-Nal, sempre acontece. Acredito que no ano eleitoral vai ter o lado ideológico, mas, aqui na Casa, projetos polêmicos o governo não protocolou nenhum. O governo já está no final. Viemos de reformas desde o tempo do (governador José Ivo) Sartori. Já temos 12 anos de reformas. Acho que, no último ano, o governo não vai ter projetos muito polêmicos. Vai ter os acirramentos políticos, ideológicos, acusações. Mas temos aqui um Parlamento maduro. Acredito que vai ser menos acelerado em termos de votações.
- Tem sido uma legislatura com menos projetos de deputados. Concorda?
É que os projetos polêmicos são do governo, que é o que mexe com as bases, alíquotas, taxações, aumenta o imposto, pedágio, reforma de servidor, seja polícia penal, seja professor, seja Brigada (Militar). Os sindicatos se manifestam. Eu tenho aprovei uns cinco projetos aqui. O Republicano foi o que mais aprovou. Só que são projetos que são unânimes na votação, porque ajudam a comunidade. Não é projeto que gere grandes despesas.
- Como vê o início dos trabalhos da CPI dos Pedágios?
Os embates vão acontecer, deve ter audiências públicas, convocações, revisão de contrato, que é o que acredito que o presidente, o relator vai pedir. Espero que não se torne eleitoreira, que não seja apenas para denegrir, para causar. Que venha ter as adversidades, mas seja construtivo.
- O Republicanos está dividido na Assembleia, com dois parlamentares mais ligados ao governo e três na oposição. Como foi atuar com essa lógica?
É ruim. Para o partido é ruim. Mas nós, Republicanos, sabemos o que é família. E em família tem briga, tem diversidade. A única coisa que eu deixei sempre clara para o governo é que eu não voto aumento de ICMS. Veio duas vezes para cá e foi unânime, ninguém votou. O deputado, que hoje é o presidente (do partido) e secretário estadual de Habitação, Carlos Gomes, sai agora em fevereiro (do governo). E aí vai começar as costuras. Ele vai ouvir as bases, os prefeitos, os vereadores, os vice, os presidentes, para ver com quem coliga. O Republicanos não está tendo candidato para concorrer a governo e ao Senado. Está muito focado para deputado federal e estadual fazer bancada.
- Qual posição defende que o Republicanos adote para a eleição ao governo do Estado?
Eu não tenho dificuldade. Em respeito à minha fé, tem coisa de família que eu não negocio. Isso é valor, o que mexe comigo. Que é posição que eu tenho convicção. Dificilmente o Republicanos vai com a esquerda. Então vai ficar entre o (Luciano) Zucco (PL) e o Gabriel (Souza, MDB). Nós já temos três (deputados) declarados que são Zucco. O presidente está vendo ainda. Eu não sou empecilho. Vou cuidar da minha campanha. Não tenho candidato ao governo. Mas, se a gente abraçar um, vou ser fiel e vamos trabalhar.
- O que achou do indicativo de apoio do PP ao PL?
É propício, porque o PP já direita. É muito do agro, do Interior. Acompanho por jornais e conversando com parlamentares deles, vejo que a base é mais para o Zucco. E no Interior os adversários é MDB e PP, então não se fecham muito.
- E a base do Republicanos, entre MDB e PL, tem preferência?
Nós não temos alas contra o Zucco. Tem alguns que não gostariam, claro. Mas vamos ouvir o deputado Carlos, como presidente, vai chamar os deputados às bases, vai ouvir e decidir para uma via. Não tem como tudo ser unânime em tudo. Mas não podemos deixar que a vontade pessoal de um atrapalhe um projeto para o Estado.
- Quanto pesa a opinião do senador Hamilton Mourão nessa decisão?
É muito importante. Hoje, é a maior liderança que nós temos aqui do Republicano. Nos ajuda muito as emendas dele. Pessoa muito conhecedora, sensata naquilo, sempre com os pés no chão, não entra naquela polêmica adoidada.
- Ser presidente em ano eleitoral é bom ou ruim, visto que tem menos tempo para campanha, mas por outro lado ganha em visibilidade?
A minha campanha é de quatro anos. Sempre. Eu já passei em quase todo município. Mas a visibilidade é maior, chega no município como o presidente, se fala pela Casa. Acredito que vai ser bom. Então, acredito que vai ser bom. Vai ser bom.
- Quais partidos devem fazer as maiores bancadas neste ano?
Acho que não vai fugir muito do que tem. Acredito que o PP está com uma boa nominata. O PSD, eu não conheço todos, mas também está aí. O PL tem uma nominata boa. Nós (Republicanos) temos uma boa nominata. O MDB, vai ter candidato próprio, também. Eu acho que não foge muito.
- Deve haver muitas trocas na janela partidária, como observa esse momento?
É natural. Muda-se muito lá em cima (Brasília). O candidato sempre vai olhar onde ele cabe com a votação dele, que pode ter mais possibilidade de se eleger. Não quer dizer que ele acerte, mas todo deputado faz a leitura.
- Como vê o cenário para a eleição nacional?
Independente da sigla partidária, eu vejo que o Tarcísio (de Freitas, Republicanos, governador e São Paulo) é disparado o melhor candidato. Ele ultrapassa as siglas partidárias. Ele não tem rejeição pelo governo dele, pela pessoa dele, pela capacidade, pela jeito que ele faz política. O Flávio Bolsonaro, um jovem, promissor, vem com a bagagem do pai. Mas são muito polêmicos. Tem muita rejeição. Não tem preparação ainda. Não se compara com o Tarcísio, que governa um Estado, que já foi ministro de Obras. Gostaria de ver Tarcísio. Independente de sigla, se ele fosse do PL, do MDB, eu votaria em Tarcísio. Qualquer partido.
Fonte: Diego Nuñez / Correio do Povo