
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começa na manhã desta terça-feira, 27, a primeira reunião de 2026 para discutir a taxa Selic brasileira. O mercado vai monitorar, na análise dos comunicados, mais as sinalizações que vão guiar Copom nas próximas reuniões do que a decisão anunciada ao final da tarde de quarta-feira, 28, em si. A tendência é que o comitê adote cautela ao indicar quando começa o corte da taxa de juros (Copom).
O cenário desde a última reunião do Copom, em 16 de dezembro, não foi animador para que o início do corte da taxa Selic ocorra já no primeiro encontro de 2026. Na prática, os números de atividade e do mercado de trabalho divulgados até novembro mostraram crescimento econômico acima do esperado e taxa de desemprego na mínima histórica, com a massa salarial agregada no maior patamar da série iniciada em 1989. Na entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária, em dezembro de 2025, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que não havia “seta dada” ou “porta fechada” para as decisões que o Copom tomaria a respeito da Selic nas próximas reuniões.
“A surpresa com o dinamismo econômico no Brasil, em meio a uma taxa de juros altamente restritiva, pode desafiar a tese de desaceleração gradual da atividade econômica preconizada pela autoridade monetária nas últimas reuniões. O fator que ainda sustenta parcialmente essa tese é a perda de fôlego de setores sensíveis ao crédito, como o varejo ampliado”, comenta Leandro Manzoni, da plataforma Investing.com.
A diferenciação de ritmo entre as atividades sensíveis ao crédito e aquelas impulsionadas pela renda já foi abordada pelo Copom na última ata. Em razão de um mercado de trabalho apertado, a inflação de serviços — especialmente nos segmentos intensivos em trabalho — interrompeu o processo de desinflação e voltou a acelerar no acumulado em 12 meses. Esse movimento, somado a uma política fiscal expansionista em descompasso com a política monetária, dificulta a queda da projeção do IPCA em 2027, horizonte relevante para a decisão de juros.
“Além disso, já há incerteza no mercado quanto ao início dos cortes na reunião de março. No mercado de opções de Copom da B3, nos dados mais recentes, havia 36,50% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em março, 32,25% de chance de corte de 50 pontos-base e 25,10% de probabilidade de manutenção. A mediana dos economistas ouvidos pelo Boletim Focus indica início dos cortes na reunião, de 50 pontos-base, para 14,5%”, comenta o analista da Investing.com.