
Mesmo em um ambiente marcado por incertezas no cenário internacional, impactos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, tensões geopolíticas e juros elevados no mercado doméstico, a indústria brasileira de dispositivos médicos inicia 2026 com expectativa de crescimento no curto prazo. É o que aponta a mais recente Pesquisa de Conjuntura da ABIMO – Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos.
Segundo o levantamento, 70,8% das empresas projetam aumento da produção nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, na comparação com igual período do ano anterior. A expectativa de crescimento das vendas aparece em 58,3% das respostas, enquanto 50% das empresas indicam perspectiva de alta no nível de emprego. Além disso, 45,8% afirmam que pretendem contratar trabalhadores no primeiro bimestre do ano.
Os dados indicam um setor que mantém planejamento positivo de curto prazo, mesmo após um ano marcado por maior volatilidade no cenário internacional. A pesquisa já incorpora os efeitos iniciais do tarifaço sobre parte das exportações brasileiras de dispositivos médicos, além de um ambiente global mais instável, com tensões geopolíticas e movimentos de proteção comercial.
Na comparação entre novembro de 2025 e novembro de 2024, 52% das empresas registraram aumento da produção e 64% relataram crescimento das vendas. O nível de emprego avançou para 48% dos respondentes, enquanto os investimentos cresceram em 68% das empresas no bimestre outubro/novembro, mesmo com a taxa básica de juros em patamar elevado.
“A pesquisa mostra que o setor inicia 2026 com expectativa de crescimento no curto prazo, especialmente em produção e vendas, o que evidencia capacidade de adaptação mesmo em um ambiente econômico mais desafiador”, afirma Larissa Gomes, Gerente de Projetos e Marketing da ABIMO.
Apesar do viés positivo, o levantamento aponta pontos de atenção. Os estoques permanecem acima do nível desejado para 36% das empresas, e a inadimplência segue elevada, com 40% das indústrias relatando aumento do indicador em novembro. Para os meses de janeiro e fevereiro de 2026, 33% das empresas projetam piora da inadimplência.
“O desafio das empresas é equilibrar crescimento com prudência, preservando ganhos de produtividade e eficiência operacional, especialmente em um cenário de juros elevados e incertezas externas”, completa Larissa.