
Em dezembro, a Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas (ICF-RS) registrou 46,8 pontos, com queda de 2,4% em relação a novembro de 2025 e retração de 21,9% frente a dezembro de 2024, renovando a mínima histórica do indicador. Como o indicador é uma média aritmética simples dos subindicadores, ele é fortemente influenciado por extremos. Ainda assim, mesmo que os extremos não fossem contabilizados, o indicador permaneceria abaixo dos 100 pontos e em queda, denotando um quadro de baixa intenção de consumo.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 16, pela Fecomércio-RS. O levantamento, realizado em Porto Alegre ao longo dos dez dias que antecedem o mês de referência, é conduzido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O ICF é composto por sete indicadores: dois relacionados ao mercado de trabalho, três vinculados ao consumo e dois ligados às perspectivas. Os resultados variam de 0 a 200 pontos, sendo que valores abaixo de 100 indicam percepção pessimista, mais intensa quanto mais próxima de zero.
Na comparação mensal, seis dos sete componentes apresentaram redução, com destaque para Acesso a Crédito, que recuou 4,2% frente a novembro de 2025, alcançando 69,0 pontos (-16,3% ante dezembro de 2024), para o Nível de Consumo Atual, que caiu 4,0% na margem (-26,8% ante dezembro de 2024), e para a Situação Atual do Emprego, que recuou 3,6% frente a novembro de 2025, chegando a 72,3 pontos (-11,7% ante dezembro de 2024).
No componente de Perspectiva de Consumo, houve recuo de 1,6%, com o indicador atingindo 53,2 pontos (-31,4% ante dezembro de 2024), enquanto a Perspectiva Profissional caiu 5,3%, alcançando 10,4 pontos (-42,5% ante dezembro de 2024). Já o Momento para Aquisição de Bens Duráveis apresentou a maior retração na margem (-15,7%), encerrando o mês em 6,3 pontos, o pior desempenho entre os componentes. O único avanço no período foi observado na Situação da Renda Atual, que cresceu 2,1% frente a novmbro de 2025, chegando a 79,4 pontos, ainda em nível baixo na comparação interanual.
“Em dezembro, tanto pelo patamar significativamente inferior ao observado no mesmo período do ano passado quanto pelo novo recuo na margem, o resultado reforça a continuidade da deterioração da confiança das famílias. Apesar da sustentação do emprego e da renda, também do alívio recente da inflação, a percepção das famílias segue marcada por restrições financeiras, derivada do alto comprometimento da renda com dívidas, e elevada cautela”, avaliou Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP