
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Após mais de 26 anos de negociações, os países da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado no próximo sábado, 17, no Paraguai. O pacto, negociado desde 1999, cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e US$ 22 trilhões de mercado., com impactos diretos sobre comércio, investimentos, cadeias produtivas e relações diplomáticas globais. Uma cerimônia de ratificação entre os dois blocos está prevista para Assunção, capital do Paraguai, com a presença dos líderes europeus e ministros de relações exteriores do Mercosul, mas a princípio sem a presença de Lula.
O acordo prevê a redução gradual ou eliminação de tarifas de importação e exportação, além da harmonização de regras em áreas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos, propriedade intelectual e padrões regulatórios. Estimativas da Comissão Europeia indicam que mais de 90% das tarifas entre os blocos serão eliminadas ao longo dos próximos anos, com ganhos relevantes para exportadores sul-americanos e para a indústria europeia.
A longa duração das negociações é explicada por fatores políticos, econômicos e sociais. Resistências internas na Europa, especialmente de países como França, Irlanda e Polônia, estiveram ligadas ao temor de impactos negativos sobre o setor agrícola. Do lado sul-americano, instabilidades políticas, mudanças de governo e preocupações ambientais também atrasaram consensos. A criação da maior zona de livre comércio do mundo tende a gerar efeitos indiretos sobre a economia global, influenciando preços, fluxos logísticos e decisões de investimento em terceiros países.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o acordo comercial deve entrar em vigor no segundo semestre deste ano: “Um acordo que, há 25 anos, era trabalhado, mas nunca saía. O Parlamento Europeu aprova sua lei e nós, no Brasil, aprovamos a lei, internalizando o acordo. A gente espera que aprove a lei ainda neste primeiro semestre e que tenhamos, no segundo semestre, a vigência do acordo. Aí, ele entra imediatamente em vigência.”
ENCONTRO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar nesta sexta-feira, 16, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Segundo o Palácio do Planalto, eles devem discutir temas da agenda internacional e os próximos passos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada.
A reunião, que ocorrerá no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense, está prevista para as 13h e será seguida de uma declaração conjunta à imprensa. Na terça-feira, 13, Lula conversou com o primeiro ministro de Portugal, Luís Montenegro, e os dois concordaram em trabalhar conjuntamente, de forma rápida e eficiente, para a implementação do acordo a fim de que as populações possam ver resultados concretos da parceria.
Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola. A implementação será gradual e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos. Na França, por exemplo, agricultores entraram com tratores em Paris nesta terça-feira, pela segunda vez em uma semana, para protestar contra o acordo que, segundo os manifestantes, ameaça a agricultura local ao criar concorrência desleal com importações sul-americanas mais baratas.
(*) com Agência Brasil