
Após a morte do produtor rural Marcos Noremberg, de 48 anos, durante uma ação da Brigada Militar (BM) em Pelotas, a Polícia Civil investiga a dinâmica da operação para esclarecer o que motivou a abordagem e como a ação foi conduzida. O caso ocorreu na madrugada desta quinta-feira, 15, na zona rural do município.
A seguir, veja o que se sabe até o momento e o que ainda falta esclarecer sobre o caso, com base em informações de autoridades e relatos de testemunhas.
Como foi a ação
A morte ocorreu durante diligências realizadas pela Brigada Militar na região, onde policiais buscavam integrantes de uma quadrilha suspeita de crimes como sequestro e porte de armas. Durante a operação, a casa do produtor foi cercada enquanto ele e a esposa dormiam.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da ação. As investigações preliminares indicam que ao menos 16 policiais participaram da operação. Conforme o delegado César Nogueira, da 2ª Delegacia de Polícia (2ª DP), as equipes teriam recebido a informação de que foragidos armados estariam escondidos na região.
Marcos teria saído da residência armado ao perceber a movimentação no local, acreditando se tratar de um assalto. Ao visualizarem a arma apontada em sua direção, os policiais efetuaram disparos. O produtor foi atingido e morreu no local. A esposa não ficou ferida.
Identificação e abordagem dos policiais
Familiares do produtor afirmam que os policiais não teriam se identificado de forma clara no momento da abordagem, o que pode ter contribuído para a reação da vítima. Essa versão será confrontada com os depoimentos dos agentes envolvidos e com os laudos periciais.
Entre os pontos centrais da investigação estão a informação que motivou a operação, a forma de entrada na propriedade e a existência ou não de mandado judicial de busca para a realização da ação.
Posicionamento do governo do RS
O governador Eduardo Leite afirmou que o Rio Grande do Sul tem uma polícia preparada, mas ressaltou que nenhuma instituição está imune a erros. Segundo ele, o episódio precisa ser apurado com rigor para esclarecer se houve falhas de procedimento.
Leite disse ainda que o governo acompanha o andamento da investigação e que casos como esse devem servir para avaliação e eventual aprimoramento das práticas policiais.
Próximos passos
A Polícia Civil deve ouvir nos próximos dias os policiais envolvidos na ação e representantes do comando da Brigada Militar. Laudos periciais, imagens e depoimentos vão embasar a conclusão do inquérito, que deverá apontar eventuais responsabilidades.
A residência conta com câmeras de videomonitoramento, e as imagens já estão em posse da Polícia Civil. Procurada, a Brigada Militar ainda não se manifestou.
Fonte: Correio do Povo