
Um levantamento da ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), aponta que o setor deve acelerar o ritmo de expansão no próximo ano. Após encerrar 2025 com um crescimento real estimado em 6,8%, o setor projeta uma alta de 16,3% no faturamento para 2026. O otimismo para o próximo ciclo é sustentado por um movimento de capitalização observado ao longo deste ano. Segundo a pesquisa, 86,4% das empresas realizaram algum aporte em máquinas, expansão de fábricas ou novas tecnologias em 2025. O destaque fica para o grupo de maior fôlego financeiro: 22% das indústrias entrevistadas investiram valores acima de R$ 1 milhão apenas nos últimos doze meses.
“Os números revelam que o setor não está apenas reagindo ao mercado, mas se estruturando para um novo patamar de consumo”, afirma Martin Eckhardt, presidente da ABRASORVETE. De fato, a confiança é tamanha que 25,4% das empresas estabeleceram metas de crescimento superiores a 25% para o ano que vem.
Para viabilizar essa meta de 16,3%, as empresas admitem que o foco será a eficiência interna. O ajuste na estrutura de custos e precificação é a principal estratégia de gestão para 49,2% das indústrias, seguido de perto pelo reforço em ações de marketing e atração de novos clientes (45,8%). A meta é equilibrar a balança entre a alta dos insumos e o aumento da capacidade produtiva, prioridade para 20,3% dos players do setor.
Segundo Martin, o planejamento antecipado tem sido determinante para o setor: “Embora o crescimento nominal projetado para 2026 seja expressivo, o cenário exige cautela extrema na gestão de custos. A pressão inflacionária sobre os insumos consome boa parte da elevação de receita, limitando o ganho real. O setor segue investindo, mas opera sob o peso de uma carga tributária complexa, incertezas na transição da Reforma Tributária e novas regulamentações trabalhistas que elevam o risco operacional. A expectativa é de aceleração, desde que o ambiente macroeconômico e a taxa de juros permitam que os ganhos de produtividade se traduzam, efetivamente, em margem de lucro para as indústrias.”