
A ofensiva militar dos EUA sobre a Venezuela na madrugada de sábado, 3, com a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduroe a esposa, Cilia Flores, trouxe junto a decisão do presidente Donald Trump o controle sobre o setor petrolífero daquele país, que detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris.
Porém, a produção é baixa, de aproximadamente 0,96 milhão de barris por dia (b/d) em 2024, longe das primeiras posições entre os países com as maiores produções de petróleo. Boa parte da produção venezuelana é exportada (805 mil b/d em 2024), sendo que 68% dele é destinado para a China.
Conforme Leandro Manzoni, da plataforma Investing.com, números mais recentes, levantados pela agência Reuters, apontavam uma exportação de 921 mil b/d em novembro de 2025, com aproximadamente 746 mil b/d para a China (80%), 150 mil b/d para os EUA (em uma licença especial sem sanção para a petrolífera americana Chevron) e 24 mil b/d para Cuba. Os dados da Reuters incluem petróleo cru, gasolina e querosene de aviação.
Segundo ele, a tendência é de um aumento do prêmio de risco nas primeiras negociações, sob a incerteza sobre ordem interna venezuelana, a cadeia de comando militar, segurança de ativos e seguro e roteirização de navios. “No entanto, há uma probabilidade relevante de os preços se estabilizarem ao longo da segunda-feira, 5, e retome a tendência estrutural de baixa verificada em 2025 na cotação da principal commodity global nos próximos dias”, diz.
Os investidores vão monitorar no caso venezuelano: A continuidade operacional da PDVSA – a estatal petrolífera da Venezuela e proprietária dos campos de produção do país; a logística e exportações sob bloqueio; e a sinalização sobre sanções e transição de poder.
VIÉS BAIXISTA
Segundo analistas do banco ING, o mercado global de petróleo começa 2026 com viés estruturalmente baixista, em razão de um descompasso crescente entre oferta e demanda, com crescimento persistente da produção de países fora da Opep+ (grupo que reúne membros da Opep e a Rússia), com destaque para EUA e Brasil, constituindo um cenário de excesso de oferta estrutural.
“Além disso, há uma capacidade ociosa relevante mantida por países da Opep+, funcionando como colchão de oferta, mesmo com a organização elevando a meta de produção em cerca de 2,9 milhões de barris por dia entre abril e dezembro de 2025. Do lado da demanda, a perspectiva é de um ritmo limitado de expansão do consumo global, com ganhos de eficiência energética, adoção de veículos elétricos e crescimento econômico mais moderado nas economias avançadas”, comenta Manzoni.
Ainda assim, os analistas do banco ING destacam que esse cenário-base convive com riscos assimétricos de alta, sobretudo associados a choques geopolíticos e decisões estratégicas de produtores-chave, onde se encaixa a operação militar dos EUA na Venezuela. Estes riscos de alta acabam adicionando a volatilidade no cenário estrutural, pois estes riscos são concentrados e de rápida transmissão.
“É um enquadramento que reforça a leitura do petróleo como um mercado confortável no fluxo, mas vulnerável no evento. Em outras palavras, é uma commodity cada vez menos estruturalmente escassa e cada vez mais politicamente sensível”, diz.