
Com quase 80% das famílias brasileiras endividadas e uma inadimplência que já atinge 30,5% dos lares, a chegada da segunda parcela do 13º salário, que deve ser paga pelas empresas até esta sexta-feira, 19, ganha ainda mais relevância neste fim de ano. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e reforçam a importância de usar o recurso de forma estratégica para evitar novos apertos financeiros logo no início de 2026.
Também conhecido como abono natalino, o 13º salário é um direito garantido por lei a trabalhadores com carteira assinada que tenham atuado por pelo menos 15 dias ao longo do ano e não tenham sido demitidos por justa causa. Servidores públicos, aposentados e pensionistas também recebem o benefício, que pode ser pago em até duas parcelas.
A primeira parcela, ou a parcela única, já foi depositada no fim de novembro. Agora, resta apenas a segunda parte, que é justamente a que vem com os descontos obrigatórios, como INSS e Imposto de Renda, quando aplicável, reduzindo o valor líquido recebido.
De acordo com Cilene Cardoso, economista e professora da Universidade São Judas, esse é o momento de redobrar a atenção para não transformar o 13º em mais um fator de endividamento. “O maior vilão do orçamento no fim do ano é o cartão de crédito. Os juros podem passar de 300% ao ano, então usar a segunda parcela do 13º para quitar esse tipo de dívida é muito mais inteligente do que parcelar novas compras”, orienta a especialista.
Nesse contexto, a recomendação é priorizar o pagamento de débitos com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial, antes de considerar gastos de consumo. O pagamento da segunda parcela do 13º coincide com um dos períodos mais intensos de consumo, marcado por Natal, confraternizações e viagens. Para a economista, o risco é comprometer o recurso com despesas impulsivas e empurrar o problema financeiro para os primeiros meses do ano.
“É natural querer celebrar, mas é fundamental pesquisar preços, evitar compras parceladas sem necessidade e dar preferência ao pagamento à vista. Isso ajuda a manter o orçamento sob controle e reduz o impacto dos juros”, explica Cilene.
JANEIRO NO RADAR
Além das festas, o início do ano costuma trazer uma série de despesas obrigatórias, como IPTU, IPVA, material escolar e mensalidades, o que torna o planejamento ainda mais necessário.
“O começo do ano pesa no bolso das famílias. Reservar parte da segunda parcela do 13º para essas despesas é uma forma inteligente de evitar atrasos, multas e juros, permitindo começar 2026 com mais tranquilidade financeira”, conclui a economista.
Em resumo, a chegada da segunda parcela do 13º salário deve ser encarada como uma oportunidade estratégica: quitar dívidas mais caras, planejar gastos inevitáveis e só então destinar parte do valor para lazer ou consumo. Em um cenário de endividamento elevado, equilíbrio e planejamento são fundamentais para fechar o ano no azul e iniciar o próximo com mais segurança.