
A decisão de suspender as tarifas punitivas a produtos agrícolas brasileiros e também de produtos de outros segmentos, como o petróleo, alguns equipamentos de aeronaves, é uma vitória diplomática do governo brasileiro, que conseguiu reverter a posição política norte-americana na hora da imposição das tarifas punitivas e, no caso dos produtos agrícolas, o Brasil volta ao patamar anterior à guerra comercial. A posição é do analista de economia da plataforma Investing.com, Leandro Manzoni a partir da decisão do presidente Donald Trump comunicada nesta quinta-feira, 20.
Para ele, a decisão significa que não tem mais a tarifa recíproca de 10%, ou a punitiva de 40%. “Então, retirando esses 50%, volta ao patamar anterior à guerra comercial e um caminho para o Brasil no acordo comercial nos produtos que ainda sofrem o impacto tanto da tarifa recíproca de 10% quanto a punitiva de 40%”, diz.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, a decisão do governo americano reforça que o diálogo continua sendo o melhor caminho para reduzir distorções. “No caso do Rio Grande do Sul, embora o impacto imediato seja concentrado apenas na carne bovina, seguimos defendendo avanços mais amplos, que eliminem desigualdades tarifárias e permitam que a indústria gaúcha dispute o mercado norte-americano em condições justas”, comenta.
Para Manzoni, a decisão se explica também porque a inflação de alimentos e o custo de vida dos americanos estão elevadas e impactando na popularidade do governo Trump, que está na mínima desde o primeiro mandato. “A pesquisa Reuters, Ipsos, desta semana colocou 38% de aprovação, que é o patamar mínimo que Trump conseguiu, aliás, que não obteve nem no primeiro mandato”.
O analista coloca o Brasil como indispensável para a dinâmica econômica americana e um acordo definitivo pode surgir em breve, como teve com o Japão, a União Europeia, recentemente com a Suíça.