Reunião na Câmara de Vereadores debate impactos da inatividade do Salgado Filho para o turismo em Porto Alegre

Encontro discutiu também a retomada do turismo de eventos na capital a partir do retorno das operações no terminal

Foto: Ederson Nunes/CMPA/Divulgação

A Câmara Municipal de Porto Alegre realizou uma reunião pública na tarde desta terça-feira para debater o retorno das operações do Aeroporto Salgado Filho e a retomada do turismo de eventos em Porto Alegre. O encontro ocorreu no Plenário Otávio Rocha e foi conduzido pelo presidente do Legislativo, vereador Mauro Pinheiro (PP).

Representando o governo estadual, o secretário de Turismo, Luis Fernando Rodriguez Jr, afirmou que o aeroporto Salgado Filho permanecer fechado impacta toda a economia de turismo e eventos do Rio Grande do Sul, que representa 15,3% da movimentação econômica de Porto Alegre. Haverá cerca de R$ 1 bilhão em prejuízos para a Fraport, empresa responsável pelo aeroporto, e R$ 3,2 bilhões ao RS se ele for reaberto apenas no mês de dezembro, a atual previsão.

Além disso, o secretário afirma que haverá prejuízos de companhias aéreas, hotéis, locadoras e estacionamentos, pontos cruciais do turismo da capital gaúcha. O secretário também destacou que conversou com a presidente do Conselho Regional de Engenharia e a mesma colocou à disposição centenas de profissionais para ajudar o aeroporto.

“Hoje, o aeroporto fechado representa R$ 15 milhões de prejuízos para todo o ecossistema que vive desse aeroporto. Temos que adotar todos os mecanismos necessários para sua pronta reabertura. Qualquer prazo que passe do mês de setembro neste momento, não é aceitável para a economia de turismo e eventos do Rio Grande do Sul”, afirmou o secretário de Turismo do RS.

O presidente do “RS Nasce”, um movimento de empresas, profissionais, entidades e parceiros da economia de turismo e eventos gaúchos, Vinicius Garcia, cobrou da Fraport mais informações a respeito da atual situação, caracterizando as atuais explicações do envolvimento do governo federal como inconclusivas. O instituto solicitou ajuda dos parlamentares para pressionar a União e a concessionária a explicarem como estão atuando em parceria com o Salgado Filho.

“Sem a gente entender que esse equilíbrio econômico vai acontecer, e estamos atentos à mídia, não temos segurança de voltar a trabalhar. Nós estamos sem a Fiergs, que é o principal equipamento de eventos dessa cidade. Não é possível um estado ter um aeroporto internacional e não é possível uma capital ter apenas um centro de eventos”, lamentou Garcia.

Dificuldades na logística para eventos

Segundo a presidente da Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), Cacá Lima, a indústria está passando dificuldades por conta do fechamento do aeroporto, que não atinge apenas o turismo de quem vem visitar a cidade, mas também os eventos locais, que contavam com o terminal de cargas do aeroporto Salgado Filho.

“Como que fazemos um casamento sem as flores lindas que a gente vê nas fotos mas que chegam pelo terminal de cargas? Como se resolve isso sem o aeroporto? Concordo que os outros aeroportos seriam a solução, mas, quais aeroportos? Não temos outros aeroportos funcionais dentro do nosso Estado. Eles não nos atendem de forma adequada”, completou.

Complementando a fala de Cacá, o vice-presidente da Porto Alegre Convention & Visitors Bureau, Marcelo Bento, mostrou preocupação com todo o ecossistema do turismo de eventos. “Todo o aparato que vem para fazer um evento, a produção de um show, a produção de um congresso, os próprios palestrantes e congressistas. Vamos dizer para eles virem para Torres, depois irem para Passo Fundo e depois enfrentar três horas de estrada para ir para Porto Alegre?”, falou Bento, reforçando as dificuldades logísticas do estado.

Conforme o empresário, a maioria dos funcionários que montam os eventos foram atingidos pelas cheias, logo, estão impossibilitados de trabalhar. “Não dá mais para esperar vir recurso de seja lá onde for. A mão de obra está precarizada porque colaborador não pode ajudar na empresa, pois ele tem que tirar o lodo da sua casa e a gente não tem aeroporto”, reforçou.

O presidente da Comissão Especial de Direito Aeronáutico e Aeroespacial (CEDAEA) da OAB/RS, Eduardo Teixeira Farah, se colocou à disposição para ajudar e destacou que a Fraport não está medindo esforços para realizar a reabertura o mais cedo possível. Além disso, afirmou que não é apenas o aeroporto Salgado Filho que enfrenta problemas no RS e expressou extrema preocupação a respeito da Rodoviária de Porto Alegre, que não tem apoio da iniciativa privada.

Fraport enviou nota para Câmara

A diretora presidente da Fraport, Andreea Pal, enviou uma nota para o presidente Mauro Pinheiro esclarecendo que não pôde comparecer ao evento por divergências de horários. Ela também detalhou a atual situação do aeroporto, afirmando que a empresa responsável está realizando esforços diários para a retomada do Salgado Filho.

Mais de 50 empresas estão atuando no sítio aeroportuário, fazendo a avaliação de todos os materiais e a infraestrutura após alagamento e foi iniciado o processo de limpeza do terminal de passageiros, acessos viários e das pistas de pousos e decolagens. O fornecimento de energia ainda não foi restabelecido e o terminal de passageiros está funcionando com transformadores e geradores provisórios, de acordo com a nota.

As subestações de energia que redistribuem precisarão ser reconstruídas, o que a Fraport aponta como “um elemento preocupante e dificultador”. Foram realizadas extrações de amostras de solo e asfalto da pista de pouso e decolagem com três laboratórios diferentes para analisar a segurança operacional e aeroportuária. Outros testes chamados de “não destrutivos” já foram realizados e o resultado está aguardado para meados de julho, a partir do qual será possível determinar os impactos sofridos e quais serão as intervenções necessárias.

A diretora também destacou que este período de conclusão de testes foi reafirmado diretamente com o governo federal. Reiterou que não tem intenção de devolver a concessão e que há “total interesse na continuidade do contrato e que acredita na capacidade de recuperação do aeroporto”.

Encaminhamentos da Câmara de Vereadores

Mauro Pinheiro apontou ainda que o ministro Paulo Pimenta foi convidado para a reunião, mas não compareceu. “O Rio Grande do Sul tem vários municípios que foram atingidos e o ministro não tem condições de atender a todos os vereadores, mas nós estamos falando de Porto Alegre, a Capital de todos os gaúchos, e acho que merecemos uma atenção especial. Todo o Rio Grande do Sul depende do Aeroporto Salgado Filho e nós temos urgência em saber o que vai acontecer com nosso aeroporto”, afirmou o presidente da Câmara.

Como encaminhamento, Pinheiro exigiu uma audiência pública com caráter de urgência entre a Fraport e o governo federal. Também propôs mais políticas públicas por parte da União para os empresários atingidos. “Precisamos de um programa que diga como vamos pagar os salários dessas pessoas que estão desempregadas porque suas empresas não estão funcionando. Não funcionaram durante 30 e poucos dias porque estavam debaixo d’água, depois mais 30 porque estão retomando. É capaz de quererem cobrar impostos dos períodos em que ficamos fechados”, finalizou.