Em uma clara mudança nas posições que vinham adotando até o início desta semana em relação à eleição estadual, a federação partidária que reúne PT, PCdoB e PV e o PSB gaúchos vão fazer uma nova reunião até a próxima quarta-feira, com o objetivo de tentar solucionar o impasse sobre terem uma candidatura única ao governo do Rio Grande do Sul.
Por enquanto, o PT mantém a pré-candidatura do deputado estadual Edegar Pretto, e, o PSB, a do ex-deputado Beto Albuquerque. A mesa de tratativas vai ser restrita: a ideia é de que dela participem apenas os presidentes estaduais de cada um dos partidos e os dois pré-candidatos a governador.
Na quarta-feira, na primeira reunião de retomada das negociações no Estado, realizada após interferências de dirigentes nacionais, cada um dos partidos mandou três representantes. Uma das possibilidades que está sendo aventada para tentar selar a unidade e, ao mesmo tempo, permitir uma ‘saída honrosa’ para o petista ou o socialista é a de, ainda em junho, Beto e Edegar serem chamados para um encontro com Lula e, após isso, um deles, em um ‘gesto de grandeza’, anunciar a desistência de disputar o Piratini.
Os sinais de que os partidos deverão chegar a um entendimento oficial no RS, independente de possíveis dissidências, foram dados tanto pelo presidente estadual do PT, o deputado federal Paulo Pimenta, como pelo do PSB, Mário Bruck. Após o encontro de quarta, Pimenta enviou áudio nos grupos petistas de whatsapp destacando o compromisso assumido de “um esforço à exaustão para que possamos ter uma candidatura de unidade no primeiro turno.”
A manifestação de Bruck seguiu mesma linha. “Não tivemos uma decisão, mas avançou o sentimento de que é necessário unificar. Isto poderá se materializar ou não, mas hoje está bastante forte a ideia de que, separados, não chegamos. Já se a gente se unir, a possibilidade de estarmos no segundo turno é muito concreta.”
Caso as representações estaduais das duas siglas não consigam chegar a um acordo, as executivas nacionais terão de resolver o impasse. No caso do PSB, um comitê eleitoral que trata dos palanques regionais tinha reunião agendada para a segunda-feira, 20, mas decidiu adiar o encontro para o dia 27.
Reviravoltas
A reviravolta nas tratativas entre o PT e o PSB no RS acontece após a passagem do pré-candidato do PT à presidência da República, o ex-presidente Lula (PT), e do vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB) pelo Rio Grande do Sul, no início de junho. Depois disso, em reuniões ocorridas em Brasília, na semana passada, o presidente nacional dos socialistas, Carlos Siqueira, deixou claro ao pré-candidato do partido, Beto Albuquerque, que a sigla não pretende apoiar a abertura do palanque do PSB nos estados a outros candidatos que não a chapa Lula/Alckmin.
Siqueira também informou sobre a possibilidade concreta de a campanha do ex-deputado não ser priorizada pelo diretório nacional no que se refere à destinação de verba partidária. A diretriz esvaziou as negociações de Beto com o PDT gaúcho, que incluía a concessão de palanque para o pré-candidato do PDT à presidência, o ex-ministro Ciro Gomes.
Na semana passada, após as reuniões em Brasília, Beto aventou internamente a possibilidade de não concorrer a nenhum cargo em 2022 caso o PT consiga emplacar Edegar ao Piratini em uma composição com o PSB e ele, Beto, precise desistir da cabeça de chapa. Na outra ponta, após a desistência de Manuela D’Ávila (PCdoB) de ocupar o espaço, os petistas seguem insistindo em que o ex-deputado pode ficar com a vaga do Senado.
Se mantido o cenário atual de construção de unidade e no qual, na disputa interna, a pré-candidatura petista abriu vantagem após os acontecimentos dos últimos 20 dias, mesmo sem Beto, o PSB pode vir a indicar o nome para o Senado. A vaga de vice segue sendo reservada para o vereador Pedro Ruas, atualmente também pré-candidato ao governo pelo PSol. Parte do PSol gaúcho, com o qual a federação encabeçada pelo PT também busca uma aliança, contudo, se opõe frontalmente à coalizão.